quarta-feira, 7 de setembro de 2011

14º Capítulo - Moeda

14º Capítulo - Moeda

Aqui está o capítulo!

P.S-> O capítulo está sem músicas, porque a minha Net está parva e não abre os vídeos do youtube,e já estou á imenso tempo a tentar. Dessa forma, é impossível eu colocar as músicas. =/


Definitivamente, eu não era nada além de uma imbecil que sempre cometia os mesmos erros. Parecia que nunca aprendia.
Porque, eu sabia que ao não contar a Alexander sobre Yakiv, traria muitos problemas. Mas e se eu contasse? Se eu contasse, ele iria desconfiar de mim, que eu sempre soubera que ele ficou vampiro, que ele estava no castelo e tudo o mais. E iria fazer Yakiv enfrentar a verdadeiramente morte. Isso era certo, porque mesmo Alex não fazer ideia de como ele era, ele odiava-o.
Pensei que a melhor solução seria saber de tudo primeiro, saber como Yakiv ficou vampiro (sim, porque ele não era um quando eu o conheci. Tinha certeza absoluta), saber a razão pela qual ele estava alí, e fazer Alex ver que ele não era como ele pensava que era.
Eu iria contar, só que… quando tudo estivesse calmo.
Em duas horas o sol nasceria, e Yakiv iria dormir para ficar longe do sol, só na noite seguinte eu poderia falar com ele.
Por enquanto, não ficaria a pensar mais nisso. Ainda tinha coisas pela frente antes disso. Já tinha guardado as minhas coisas no meu antigo quarto, e sorrindo pensava em como tudo estava igual. Pensei que Alexander tinha simplesmente feito tudo aquilo explodir. Mas não, estava tudo ali.
Mas eu não ia dormir ali. O meu sorriso abriu ainda mais. Dormiria no quarto do Alex, ali seria só… o meu quarto de vestir ou algo do género.
Gostei de voltar ao castelo. Apesar da maioria das recordações serem angustiantes, era bom estar de volta.
Quando entramos no castelo, Alain, Julliane e Kawit estavam presentes. Penso que todos fomos reservados em relação uns aos outros, eu não sabia o que eles pensavam, tinham uma expressão impassível. Bem, não todos. Eu conseguia perceber o quanto Kawit estava raivosa, e ela percebeu bem a mensagem transmitida no meu olhar para ela “Sim puta, estou de volta”. No entanto, ela baixou a cabeça para mim, quando Alexander ordenou que me respeitassem como o respeitavam a ele.
Enquanto me penteava, fazendo uma trança no longo cabelo ruivo, encarei o espelho e sorrindo deixei lembranças aleatórias invadirem a minha mente.

Flashback







- Caraças Alexander! – resmunguei enervada – Odei quando fazes isso! Assustaste-me. De novo.
Saia do minha casa de banho, depois de ter feito a minha higiene pessoal, e ao entrar no meu quarto, vi Alexander deitado na minha cama relaxado e á minha espera.
- Tive saudades tuas. De novo. – sorriu.
Raios. Sempre que ele dava aquele sorriso torto, eu ficava com o coração aos pulos e era impossível ficar chateada.
Saltei para a cama, sem me preocupar com a t-shirt larga com um gato estampado tivesse subido e revelado um pouco das coxas. Os meus lábios cobriram os dele vorazmente, e os meus dedos embrenharam-se no seu cabelo castanho, deixando-o ainda mais desalinhado.
- Hum, não sei se é boa ideia estares aqui, com o meu pai em casa. –aninhei-me nos seus braços – Já não dás aulas no colégio, mas imagina o que o meu pai faria ao ver um homem no meu quarto. Um homem que é meu ex-professor, e que nos apaixonamos enquanto eras meu professor.
- Eu já disse que por mim, não fazíamos mais segredo.
- Eu só quero preparar o terreno. – pisquei-lhe o olho – Mal posso esperar para que todas na escola saibam que eu tenho o professor gato! – brinquei.
- Achas que o teu pai vai fazer muita confusão pelo nosso relacionamento?
- Não sei… Talvez um pouco. Mas não me importo.
- Óptimo – mordiscou a minha orelha – Porque eu também não.
- Agora, fica sossegado que eu tenho de me pentear. – mordi-lhe levemente o queixo – Depois tenho de ir a casa da Nereida, posso é escapulir na parte de tarde até tua casa…
- Só de tarde? – sentou-se na cama enquanto eu me levantava.
- Só… - disse olhando-o por cima do ombro – Infelizmente…
Quando me olhei no espelho, pensei seriamente que Alexander não devia me ver assim tão cedo pela manhã. O meu cabelo definitivamente estava uma confusão total. Comecei a pentear-me rapidamente e optei por usar duas tranças. Comecei a trançar um lado do cabelo.
Alexander levantou-se enquanto eu amarrava um elástico.
- Eu faço o outro lado. – Os seus dedos começaram a deslizar pela outra parte do cabelo e eu olhava-o enquanto ele franzia a testa.
- Alexander, sabes fazer uma trança, certo? – ele assentiu – Um lado passa por cima da do meio, e depois fazes o mesmo com o outro lado. – disse divertida.
- Já está. – beijou os meus lábios depois de amarrar um elástico. Virei-me para o espelho – Ficas-te linda.
Simplesmente o olhei, e comecei a desfazer a “trança”.

(…)


Retirava os meus livros do meu cacifo vermelho, e pensava nas palavras de Nereida. Na hora do almoço, no refeitório, comentara com ela o quanto era raro o professor de Inglês almoçar lá. Nereida disse que eu devia parar de prestar tanta atenção no professor tirano – mas lindo – de inglês. Para não me meter em mais problemas.
É, ela tinha razão.
Apenas, talvez fosse tarde de mais.
- Olá Brown!
Respirei fundo ao reconhecer a voz falsa.
- Olá Nora. – fechei a porta do cacifo depois de tirar o meu caderno – Adeus, Nora.
- Ey, espera aí! – segurou a manga do meu casaco.
- Tira a pata. – avisei-a – Já me estou a passar contigo desde o inicio da semana. Vais te safando porque não quero ficar de castigo novamente, mas não abuses.
- Ou o quê?
E pronto, em cinco minutos, depois de o típico “palavra puxa palavra”, estávamos a puxar os cabelos uma á outra, e um grupinho já se juntava incentivando. Um rapaz da turma puxou-me, enquanto o outro puxava Nora, impedindo-me de vingar do arranhão na bochecha e na testa que aquelas unhas falsas me fizeram.
- Sua puta! – rugi pontapeando o ar e pela cara de pervertidos de os rapazes tinha a certeza que eles tinham visto as minhas cuecas quando as minhas pernas batiam no ar fazendo a saia do uniforme escolar esvoaçar.
Aquela espécie de prostituta desmiolada tinha fios de cabelos meus entrelaçados pelos dedos (eu também tinha os dela) mas eu não tinha podido retribuir os arranhões na cara. Iria parar hoje mesmo de roer as unhas, porque finalmente tinha um motivo mais que motivador. Eu iria fazer-lhe o mesmo.
- Ey! – ouvimos a voz do professor de Biologia gritar e empurrar os alunos entrando no círculo – O que se passa aqui?
Percebi a presença do professor Alexander entrando no círculo de alunos e juntando-se ao professor de Biologia, para perceber o que se passava. Então parei de esbracejar e pontapear o ar. Ela já não devia ter uma boa impressão sobre mim…
- Ela atacou-me!
É que era sempre a mesma coisa. Eu sempre a atacava. Ela nunca tinha culpa.
- Foste tu que começas-te! – rugi enquanto o rapaz me soltava, assim que sabia que não nos íamos pegar outra vez.
- Não me importa quem começou, ou quem terminou. – a voz gelada de Alexander fez todos se remeterem ao silêncio.
O resultado fora as duas de castigo – sim, finalmente não ficava só eu! Nora, ficara a lavar as casas de banho – incluindo os balneários, boa sorte com os masculinos! - a cantina, o ginásio e os corredores. Oh, o quanto ela chorou para tentar alterar isso!
E eu fiquei de arrumar as salas todas.
A tarefa estava bem distribuída em quantidade (ambas só abandonaríamos a escola lá pelas 11 da noite! E a escola fechava ás 4 e meia da tarde. Era muita coisa a der feita) só que pela primeira vez, eu fiquei com a melhor parte.
Durante a aula de Inglês, Nora fingiu estar com dores de barriga, obvio que era para se escapulir do castigo. O professor Alexander também percebeu, e respondeu simplesmente “Não adianta tentar evitar o castigo. Se não fizer hoje, fará o mesmo castigo durante cada dia da próxima semana.”.
Eram umas seis horas da tarde, e eu não tinha arrumado nem metade das salas. Estava a limpar as mesas quando ouvi uma batida na porta, uma forma de mostrar a sua presença. Corei ao perceber quem era.
- Esqueci uns documentos, e vim saber se o castigo está a ser comprido devidamente. – ao contrário do que a frase indicava, ele não foi autoritário.
- Hum… Eu estou a fazer o melhor possível… - engoli em seco – Mas acho que toda a gente vai ficar feliz, por amanha serem as funcionárias a tratar de tudo outra vez.
- Talvez o castigo foi demasiado pesado. Obviamente vai levar imenso tempo.
- Pelo menos não fiquei com as casa de banho! – não pode evitar sorrir.
- Foi á infirmaria ver os arranhões, como mandei?
- Sim, fui… Mas não era necessário… Foi só superficialmente, nem vai deixar marcas. – o que era a sorte daquela atrofiada.
Silêncio.
Como ele não disse mais nada, voltei ao “trabalho”. Ele ficou encostado á porta, observando. Talvez a inspeccionar. Quando terminei a sala, empurrei o carrinho de limpezas para a outra e ele foi a trás, desconfortável.
Antes de entrar na sala, tirei as luvas e hesitante levei a mão ao bolso e fechei-a sobre o objecto que já carregava á mais de uma semana. Sem nunca ter tido coragem, nem oportunidade de agir.
Engoli em seco, e então rapidamente virei-me estendendo a mão com a palma branca para cima.
Ele fitou a moeda, sem perceber.
- Hum… - eu realmente estava a sentir-me mal, de tão forte que o meu coração batia e rugia nos ouvidos. – Eu… Naquela aula, em falou sobre os vícios do jogo dos petas, disse que nunca tinha sorte… E bem… - com os dedos trémulos, girei a moeda, mostrando novamente uma face igual. Dois lados, e de cada lado, a mesma face. – se jogar com esta moeda, ganha sempre. Irá ter sempre sorte…Eu pensei que iria gostar…
Ele fitou-me nos olhos, e eu desviei o olhar, enquanto os seus dedos pegavam na moeda, e a analisaram.
- Interessante… - a voz dele estava baixa – É… para mim?
Assenti sentindo-me muito corada.
- Nunca recebi um presente. – os seus olhos focavam os meus, e depois acrescentou rapidamente – Um presente deste género, quero dizer.
- Gostou?
- Sim, mas… Não devia ter gasto dinheiro com um presente para mim… É uma peça antiga, de ouro branco… Não posso aceitar. – estendeu a moeda para mim.
- Não gastei dinheiro. – engoli em seco – Foi a minha mãe que me deu, quando era pequena. Tinha sido da minha avó…
- Realmente não posso aceitar. – voltou a colocar a moeda na minha mãe, os seus dedos envolvendo a minha mão, fechando-a sobre a moeda.
Engoli com dificuldade, tentando conter as lágrimas. Recriminei-me a mim mesma, por fazer papel de idiota. Olhei para a sala e mormurei:
- Eu percebo… É melhor ir arrumar esta sala, se não nunca mais acabo…
- Eu… - disse ele hesitante – Eu gostei imenso, sinto-me honrado, mas não posso aceitar.
- Está bem.
- É um presente de família… Porque queria oferece-lo para mim?
- Porque… Achei que já me deu sorte, e podia fazer o mesmo pelo senhor… Gostaria que ficasse com a moeda… E o Natal é este mês, eu pensei que… Não é nada de mais. Percebo porque recusa. – agora eu percebia que devia ser embaraçoso para ele, ter uma aluna a oferecer aquilo. Mas eu não tinha pensado por esse lado, eu só… Achei que aquilo devia ficar com ele. E não pensei sobre quão revelador podia ser o gesto. Queria fugir dali de tão envergonhada que ficava.
Ia virar-me quando ele segurou o meu pulso, e delicadamente abriu a minha mão, pegando na moeda.
- Obrigado, pelo presente. Mas, se o quiser de volta, não hesite em pedir… - gradou-o no bolso do casaco – Vai dar-me sorte, certamente.
E sem mais uma palavra, começou a caminhar para a saída.
Na semana seguinte, uma caixa dourada estava á porta da minha casa, com o meu nome. Peguei nela antes que o meu irmão a visse, mas estava sozinha em casa e corri para o meu quarto. Abri e dentro estavam dois livros. Eram antigos, mas em perfeito estado. Suspendi a respiração, e tremia sem controle. Eram dois volumes. O idioma era Alemão."Kinder- und Hausmärchen", pelos Irmãos Grimm (Jacob e Wilhelm). Foi publicado inicialmente em 1812. Eram uma primeira edição. Tremendo, lembrei-me que tinha dito que aquelas eram as minhas histórias infantis preferidas. As minha histórias preferidas de todas. Tinha dito aquilo, num debate na aula de Inglês.
Não tinha remetente, mas eu sabia perfeitamente quem tinha enviado.


Que tal? =) Gostaram?
Comentem! =D






Eu pensei que seria fofo e romântico saberem mais um pouco do que aconteceu com eles os dois no tempo lá na vila. Sempre tive a ideia de fazer isso nesta temporada, quer por flashback, ou por conversas deles... E o momento começa a ser bom para isso, quando eles estão num bom momento, relaxados e in love e tudo isso =)

Beijinhos!

P.S-> Falta-me responder a 9 comentários (salvo erro) do capítulo anterior. Vou tratar disso agora mesmo, depois vejam. =)
Editado: Já estão todos respondidos. Vão conferir, é que podem já não se lembrar que comentaram ;)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

...

Olá pessoal!

Passei só para dizer que eu hoje trago post mais logo, é que fiquei sem net porque quando esteve mau tempo a minha ligação foi-se… Mas eu continuei a escrever, e hoje venho já colocar as coisas direitas por aqui! Mas tem de ser mais logo, porque não tou em casa…

Ah, e agradecer também ao anónimo que têm vindo a comentar sobre as personagens de amor e sangue á meia noite e tudo o resto! Espero que gostes da história, além dos personagens =)
Eu adoro coments! :) Nem que sejam para dizer olá! =)
Como não tinha outra maneira de contactar, aradeci mesmo aqui! :)

Bem, até logo!
Beijinhos

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

13º Capítulo - Impasses


13º Capítulo – Impasses

Espero que gostem… :D

Olhem, eu aqui chorei imenso ao escrever este capitulo. Talvez seja porque sou eu a escrever e me coloque nos personagens junto com sabendo os seus destinos... Talvez eu sinta mais, e ao escrever chorar e rir é mais facil para mim. Espero ter passado os sentimentos.

Mas bem, quem é sensível, talvez deva ir buscar uma caixinha de lenços:P









- Não acredito… - sussurrei baixinho.
Encostei a cabeça no vidro da janela do carro, e olhei para a casa que por um tempo me acolheu, iluminada pelo luar. Uma lágrima de sangue escorreu pela minha pele pálida. Limpei-a rapidamente.
- Eu não acredito é que estás a chorar. – os seus dedos tencionaram-se no volante enquanto arrancava. Contrario ao que pensava, arrancou suavemente. – A chorar, na minha frente. – olhei-o de esguelha e suspirei. Voltei a olhar para a casa, que ficava cada vez mais longe. – A chorares na minha frente, por outro. – a sua voz suava ressentida, e um tom de fúria e amargura escondida.
- Alexander, pelo menos tenta parecer menos egoísta. A sério, ás vezes eu não consigo acreditar em como tens um coração tão gelado.
Ele não me respondeu.
- Ás vezes penso que vou morrer congelada só por estar perto de ti.
- Não vou nem se quer responder a isso. – olhou-me de lado, aparentemente calmo – Estás á procura de uma discussão. Poupa o trabalho e desabafa de uma vez. Chora lá pela morte do miserável humano.
- Pára o carro. – disse firme.
- O quê?
- Pára o carro, agora.
Ele deslizou o carro, por um caminho de terra batida que surgiu embrenhando pela floresta e depois parou. Saí do carro e afastei-me um pouco, passando as mãos pelo cabelo nervosa.
Inclinei a cabeça, e deixei algumas lágrimas escorrerem, um nó na garganta. Arrependimento. Arrependimento e mais arrependimento. Enquanto os meus ombros balançavam um pouco, senti os braços quentes de Alex, deslizarem pelos meus ombros, e puxando-me contra o seu peito. Sentia as costas quentes pelo contanto com Alexander, enquanto os seus braços me rodeavam, dando-me conforto.
Eventualmente, acabei por me girar, e encarar o seu rosto. Ele estava tenso, pensativo. E no entanto, o seu olhar estava repleto de preocupação, enquanto limpava os meus olhos e me beijava suavemente na boca. Segurei os seus cabelos desalinhados, sentindo a sua língua deslizar pelos meus lábios.
- Não consegui pagar a minha divida. – respirei fundo, ainda abalada. – Nunca poderei agradecer e pedir desculpas. – murmurei contra o seu peito.
Alguns dias atrás, Alex dissera que voltaríamos para o castelo. Para começarmos, onde tudo tinha terminado. No entanto, ele surpreendera-me, dizendo que antes disso, iríamos á Ucrânia, perto da fronteira com a Roménia. Disse que se era algo que me deixava tão cheia de arrependimentos, iríamos á casa da família do militar, ajuda-los financeiramente e eu poderia pedir perdão ao tal militar e devolver o dinheiro que ele me dera. E depois seguir em frente. Ficara tão feliz, que me lancei nos seus braços, acabando a trocar carícias enlouquecidas e desenfreadas contra a porta da cozinha do meu antigo apartamento. Não só feliz por poder tirar um pouco do peso de consciência que carregava, talvez obtendo perdão, mas especialmente porque Alex o sugeriu. Ele tratara de tudo. Por mim.
E, no fim de nada valera. Chegara na casa, e Alex foi traduzindo o que a mulher falava. Afinal, todos os milénios que vivera dera tempo suficiente para saber todos os dialectos, além de que a mente de um puro funcionava infinitamente mais rápido que um simples humano. Alex ainda com a mão entrelaçada na minha, com a voz ausente de emoção, traduziu as palavras da mãe de Yakiv. Yakiv, tinha desaparecido cerca de dois, três meses depois de mim, numa missão qualquer militar. E nunca mais regressara.
Controlei-me, disse o quanto lamentava. E agradeci de novo á família. Alexander, passou-lhes um cheque, que pelos olhos esbugalhados da mulher devia ser muito mais do que ela alguma vez sonhou ter em toda a sua vida, mesmo trabalhando todos os dias. Percebi que ela tentou recusar, mas Alexander insistiu. Despedi-me, mandando comprimentos para o marido dela, e voltei para o carro.
As mãos de Alexander, deslizavam pelo meu cabelo, massajando os meus ombros em seguida, tentando livrar-me da tensão. E no entanto, ele estava tenso.
- Por favor Alex, - coloquei-me em bicos de pé, beijando a sua mandíbula tensa – Não estejas assim agora.
- Estás a chorar por outro homem. – os seus dedos, prenderam o meu queixo obrigando-me a ver o seu olhar intenso. Aquele cinzento azulado brilhante.
- Não é da forma como estás a pensar. Eu só cheguei tarde de mais… Eu – suspirei – Não compreendes? Ele era uma espécie de amigo que eu trai, que eu mesmo sem querer e me aperceber manipulei desprezivelmente. Tirei vantagem dos seus sentimentos, fiquei com tudo o que ele tinha, e deixei-o sem nada. Ele amava-me, e mesmo eu não o amando nem como homem, nem mesmo como um elemento da minha família, eu gostava dele. Ele era, como um amigo. Eu preocupava-me. Tenta perceber, ele acabou por partir para a tal missão e não voltou. Ele morreu com o coração partido. Eu parti o seu coração. E ele morreu sem eu poder dizer o quanto lamentava, o quanto ainda lamento. – suspirei, percebendo ainda o ciúme nos seus olhos, e desconfiança. A desconfiança de que eu lhe mentia. – E eu terei de viver o tempo todo cheia de remorsos. E Alex, o tempo todo, para nós, significa para sempre. E para sempre, como sempre disseste, é muito tempo.
As suas mãos quentes, seguraram o meu rosto enquanto os seus dedos polegares acariciaram os meus lábios.
- Nikka, já pagas-te o que quer que devias. Agradeces-te aquela família, eu agradeci, e eles nunca mais terão problemas de dinheiro na vida! Não me pareceu que tivessem passado privações de necessidades básicas. No entanto, agora poderão viver muito bem, sem qualquer preocupações monetárias. Tu, não deves mais nada!
- Não para a família. Mas eu tinha uma divida com Yakiv. E não a paguei. – insisti. – E nunca poderei saldar essa divida.
As suas mãos nervosamente colocaram fios do meu cabelo ruivo, atrás das orelhas. Roçou os lábios nos meus levemente e sussurrou:
- Não te vou mentir. Sabes que para mim, a morte dele foi algo que eu ansiava… - tapou os meus lábios com os seus dedos, calando assim o meu protesto – Tu sabes isso, eu queria a morte dele, mesmo não conhecendo o seu rosto. No entanto, preferia que tivesses resolvido tudo o que tinhas a resolver. Mas, tu sabes, que eu não lamento. Nunca lamentarei nada, nada além do que te incomode. E o que lamento, é que sofras. Não pela morte dele. Especialmente, lamento que sofras por ele!
- Estavas tão distante, tão ausente. Indiferente, como se o meu sofrimento, nada significasse para ti…



- Não. Eu estou ausente, para não te fazer sofrer. – disse entre dentes – E te dizer o que penso daquele que consideras a porra de um santo! – silvou – Eu odeio que te preocupes com a porra do militar. Ele aproveitou-se de ti.
- Não digas isso!
- Não é verdade? – riu ironicamente soltando o meu rosto – Tu já o tinhas colocado num pedestal á muito tempo. Guardavas a sua memoria só para ti. Só na porra da semana passada me falas-te nele. Porquê? Porquê? – tentou moderar a voz, que saia áspera e cheia de rancor – Eu digo-te porquê. Porque querias que eu não estragasse nada, querias guardar segredo. Como se eu fosse um demónio, e ele um anjo. A diferença Nikka, é que ambos sabemos que eu sou, e eu não tento fingir ser bom ou qualquer porra. Enquanto que o teu precioso militar fingia-se de bonzinho, quando tudo o que queria, era sexo! – neste momento, ele já me agarrava pelos ombros e me abanava.
- Por favor, Alexander. Pára com isso. – respirei fundo, tentando acalmar-me – Eu bem que desconfiei que andavas a pensar coisas do género! É tão difícil pensar que existe pessoas boas? – ele riu amargurado – Achas que ele não me podia amar mesmo, que eu não posso despertar amor? Só luxúria? É assim que tu me vez? Foi assim que tu sempre me viste?
- Não me compares com ele! Achas que um humano, pode sentir o que sentimos? Tu és um puro também Nikka. Sabes perfeitamente da diferença entre alguém como nós e um humano. E eu… Eu vivo á muito tempo. O amor que eu sentia por ti, não pode sequer estar na categoria de qualquer sentimento, quanto mais, na categoria de um simples humano aproveitador. – O amor que sentia. Sorri amarga. Ele nunca diria que me amava de novo. Apesar, de, de certa forma eu sentir o seu amor. Mesmo, no ciúme dele. – Sim, eu sentia uma luxúria insuportável por ti. Mas eu amava-te. Como jamais, alguém poderá chegar perto de amar.
- Eu sei, eu percebo a diferença. Só, tenta perceber que não era assim como querer fazer parecer! Eu sentia sim, que ele me desejava. Mas, ele só queria proteger-me, ele queria cuidar de mim. Ele queria a rapariga que pensava vir da prostituição! Ele queria corar o meu coração partido. Ele era doce o tempo todo, não sedutor.
- Seduzia tentando parecer a porra de um menininho perfeito! – rugiu, com o resto perto do meu. Os olhos faiscantes – Ele não era um anjinho! Tudo o que ele fez, ele fez querendo algo! Oh, ele até empurrava no baloiço, não foi? – gargalhou de uma forma que me arrepiou - Se ele não tivesse morrido, depois de tu teres a porra do tão precioso perdão, iria adorar arrancar o seu coração!
- Porque tens de ser assim? – gritei – Vês maldade em tudo, sempre segundas intenções! E queres saber? Não me importo mais o que pensas. E tu não podes mandar na minha maneira de pensar. – afastei-me dele, olhando-o com raiva.
- OH… Tu estão tão fodidamente apaixonada por ele! – rugiu tão alto que eu saltei de susto, enquanto os seus olhos ficavam avermelhados, e as suas presas alongaram-se. – É isso não é? Tu apaixonaste-te por ele.
- Deus! Para com isso Alexander! – eu não gritei, passei a mão pelo rosto, tentando acalmar-me – Estives-te este tempo com isso na cabeça, não foi? A sério, tu és doente.
- Diz-me – as suas mãos capturaram o meu rosto. Pensei que me seguraria com forças excessiva, mas ele não o fez, estava tenso, ainda no estado de predador. Mas não me magoou – Quantas… Quantas vezes fodes-te com ele?
Suspirei.
- Já tivemos uma conversa do género. E eu disse-te que não tinha tido relações sexuais com ninguém, quando estivemos separados. Que tu, tinhas sido o meu único homem. – levei a minha mão ao seu rosto tenso, muito quente pela sua fúria – E tu, juras-te que também não tinha feito com ninguém. E eu acreditei em ti.
- Eu não fiz. – cuspiu as palavras – Tentei, mas não consegui. Queria-te longe da minha mente! Desde o dia em que coloquei os meus olhos em ti, nunca mais me interessei por ninguém. Mas não sou ingénuo. Eu sei que tiveste sexo com ele!
- Alexander…
- Tu estás apaixonada por ele! Olha para ti! – dizia amargurada – A defende-lo, a idolatrado! Como, como posso competir com a porra de um santo? Como posso competir com porra de lembranças que tu nem contas?! – ele virou-me as costas, começando a mexer-se de um lado para o outro, tentando acalmar-se.
- Alex – caminhei para ele, e abracei-o por trás, encostando o meu rosto, nas suas costas. Ele estava tenso. – Por favor, acredita em mim. Eu nunca, em momento algum senti luxúria por alguém além de ti. Quanto mais fazer o que quer que seja, com Yakiv. Especialmente naquele momento. Eu sequer sabia o que era, eu não estava bem lúcida… - dizia amargurara, e acabei por derramar lágrimas – Olha para nós, estamos tão fodidos. – disse a completa verdade – Eu tenho medo, medo de que já não tenhamos concerto… - ele segurou as minhas mão e encarou-me de novo. O seu olhar desesperado, e beijou-me vorazmente. E as suas presas acabaram por se retrair.
Quando o beijo passional acabou, eu encostei a cabeça no seu peito, e ele limpava a minha bochecha com o polegar, a limpar o risco vermelho que as lágrimas de sangue fizeram.



- Tu nunca mais vais confiar em mim. – disse com a voz suave, e triste – Não consegues, porque eu trai-te. E mesmo que tentes, não tens confiança novamente em mim. – suspirei – Vais sempre desconfiar o tempo todo de mim. Antes, a minha palavra era uma verdade absoluta, e agora… Alex, cada palavra minha, na tua mente é uma possível mentira. - desta vez, foi eu que coloquei os meus dedos nos seus lábios, impedindo o protesto – Eu percebo. Eu magoei-te tanto. Não vou ter a tua confiança de volta assim fácil. Só que para mim Alex, também nem tudo é fácil. Eu também morro de medo. Morro de medo, cada vez que te afasta de mim para caçar ou qualquer outra coisa. Morro de medo se sais do meu campo de visão, ou te deixo de sentir por perto por mais de 5 segundos. Temo o tempo todo que vás embora. Temo o tempo todo, que voltes a ficar furioso, e me expulsos de novo. E eu, Alex por favor, eu não posso ficar sozinha de novo! – implorei segurando o seu casaco e novas lágrimas caindo selvagens e o coração tão apertado que doía a respirar – Eu não posso ficar sem ti. Não de novo. Por favor, entende que eu também tenho medo. Porque ambos estamos fodidos, ambos estamos partidos. E… Eu acho que não estamos no caminho certo. Nada funciona, ainda desconfias de mim o tempo todo, e eu não me sinto segura…
- Não vou deixar nada de mal acontecer-te. Eu juro. – a sua voz estava presa, e os seus olhos ensanguentados pelas lágrimas. Lágrimas que eventualmente caíram – Aconteça o que acontecer, eu não te abandonarei. Ouviste? – os seus lábios, trémulos como os meus, percorreram o meu rosto – Estás presa a mim. Para sempre.
- Oh, Alexander… Tu também me prometeste amar e venerar acima de tudo… - eu chorava e soluçava com tanta dor que eu nem sabia como tudo aquilo tinha surgido naquele momento – Dizias que sempre me protegerias… E mesmo assim, mesmo assim, expulsaste-me do castelo. E eu fiquei sozinha. Sozinha o tempo todo, sem saber absolutamente nada. Eu não sabia nada, nada de regras, a verdade é que não foste um bom criador. E eu, tornei-me uma má cria em retorno. Eu não aguento ficar sozinha de novo…
- Lamento por tudo isso – ele limpava as suas próprias lágrimas – Eu só, não quero voltar a ser aquela porra de ser sem nada na cabeça, tão morto pelas facadas que me deste. O meu amor, todo o meu mundo, a minha alma… o meu pequeno anjo, tentara destruir-me. Sem piedade, depois de tudo. E mesmo assim, tudo o que eu queria, era ter-te de volta. Sem qualquer tipo de orgulho. Eu não quero passar por tudo aquilo de novo…
- Nunca mais. – segurei bem o seu rosto, e olhei bem fundo nos seus olhos – Eu morro se me abandonas de novo. Não terei mais forças para isso.
- Nunca, minha pequena. Nunca digas isso. Não fales em morte, tu nunca morreras, eu sempre estarei ao teu lado, protegendo-te contra a única coisa que poderá tirar-te de mim, o fogo. Eu nunca te deixarei correr qualquer tipo de perigo. Eu nunca te abandonarei, porque mesmo que me mintas e me tentes matar, eu nunca morrerei, e pensar que possas deixar de viver no mesmo mundo do que eu… - ele respirou fundo – Não quero nem pensar nisso.
- Alex, eu estou tão cansada!
- Cansada?! – as suas mãos seguraram-me forte – Cansada… de mim?
- Não… Cansada disto… Nós não estamos a ir a lado nenhum… Tudo isto de fingir que nada aconteceu, e cada um ficar com os seus pensamentos sombrios, está a matar-nos aos poucos. Nós discutimos o tempo todo, magoamo-nos mutuamente… Isto não vai acabar bem… Eu não posso continuar assim. Eu sei que vai doer, mas teremos de enfrentar isso juntos.
Ele assentiu e beijou-me.
- Apenas, vamos de vagar, Nikka.
- Eu também prefiro assim… Eu tenho tanto medo que invés de estarmos a melhorar, estejamos a nos destruir.
- Eu também fico assustado. Eu não sabia o que era amor, mas é tão doce, tão amargo. É um veneno mortal e ainda é o paraíso. Oh Nikka, tu fazes-me viver no paraíso e arder nas chamas do inferno! Eu preciso desesperadamente de ti, e no entanto ás vezes sinto que é uma maldição. Estou a pagar por tudo o que fiz. Mas eu não vou desistir Nikka, eu quero perdoar-te, eu quero esquecer. Eu quero que sejamos felizes, nos fomos felizes antes… Mas foi tão pouco tempo… Mas eu não estou a conseguir, eu tento, eu juro que tento. Mas não consigo. Sempre foi a minha natureza, sempre que penso, sempre que recordo, eu sinto que estou a passar por tudo aquilo de novo… Eu não consigo deixar-te ir, mesmo fazendo-nos mal, eu não consigo deixar este ciclo vicioso. E eu não sei se algum dia pararemos. Á momentos em que eu acho uma punição, outros uma bênção, um milagre. E, em qualquer deles, eu não paro de pensar em ti, em te querer e te guardar só para mim. E no entanto, destruímos mutuamente. Ambos recebemos isto, ambos meio que estamos doentes, e teremos de aprender a viver com as escolhas que fizemos e que nos levaram até aqui e superar ou eu não sei o que nos irá acontecer. Ambos somos escravos disto. Eu sou um escravo de novo, e mesmo assim, eu não quero a liberdade.
Tudo aconteceu tão rápido em seguida, que eu mesmo poderia tentar lembrar o que se passou. Só sei que no momento seguinte, estávamos embrulhados no chão da estrada de terra batida abandonada, ainda meio vestidos, fazendo amor loucamente. O corpo de Alex procurava o meu, e o meu, loucamente ansiava por ele e respondia a todos os seus toques. Nada era suficiente para matar a nossa anciã, a nossa fome de amor, de perdão, de esperança por novos tempos felizes. Não havia duvida de que eu sempre seria dele, e ele seria sempre meu. Mas, por quanto tempo?



- Tinhas mesmo de rasgar as minhas calças? – resmunguei um tempo depois.
Estamos deitados no capo do carro, encostados ao vidro. Uma leveza nos envolvia, enquanto estávamos abraçados, fazendo carinhos um no outro.
O Carro, ele tinha-o alugado e assim que tínhamos saído do seu jacto partículas para nos dirigirmos á casa da família de Yakiv. As malas já tinham sido enviadas para o castelo, tudo já devia estar lá na Roménia. E esse meio que era um problema no momento, já que eu não podia pegar nenhuma roupa da mala. Não podia acabar de me vestir completamente como Alexander, uma vez que não tinha calças disponíveis
- Agora, vou aparecer no castelo sem calças, Alex? – na verdade, eu nem estava preocupada com isso. Só o abraçava.
- Eu paro pelo caminho em algum lugar e compro algo… - beijou o topo da minha cabeça, afagando com a outra mão a minha coxa nua. – foi bom, não foi? Então, valeu a pena o pequeno incomodo…
- Convencido!
Ambos rimos.
- Olha lá… - levantei o rosto e olhei-o semicerrando os olhos, desconfiada – Que história foi aquela de “sentia uma luxúria insuportável por ti”?
- Obviamente que ainda sofro desse problema… - ia-me puxar para um beijo e eu interrompi divertida.
- Não é isso… Tu sentias desejo por mim, enquanto eras meu professor, não é? – ri enquanto ele deu de ombros – OMG, que vergonhoso Alexander! Antes mesmo de nos declarar-mos, tu imaginavas-te a ter sexo comigo? – eu estava a adorar aquela conversa.
- Honestamente sim – mordeu o meu queixo – Obvio que sim, Nikka. Vais me dizer, que nunca pensas-te em algo comigo? – ele fitava-me incomodado. Como se eu dizendo que não, fosse uma espécie de “desilusão”. Afinal, ele sempre se achara irresistível.
- Bem, não era nada pervertido ou assim – senti-me corar – Eu imaginava fazer amor contigo. Em beijar-te… essas coisas. Que dissesses que me amavas…
- Eu passei pelo inferno – suspirou – Eu não pensava em mais ninguém, e o tempo todo tinha tido mulher atrás de mulher, todos os prazeres carnais satisfeitos. E então, conheci-te. A aluna adolescente que me roubou o coração. E eu nem podia tocar. Foi mesmo o inferno.
- E, quando começamos a namorar, eu queria muitas vezes e tu afastavas-te. – beijei o seu pescoço, e afaguei o seu peito, coberto pela camisa escura. –E eu admiro-te por isso. Eu não sabia qual a tua natureza, e tu respeitaste-me imenso. Mesmo, querendo provavelmente mais do que eu.
- É. Apaixonar-se tornas-nos assim, parvos.
- Oh, não digas isso! – ri – Tu eras muito romântico. Não aquele romântico extremo, mas um romantismo que eu sempre apreciei. Eu via naqueles gestos brutos, naquela ferocidade sobre me proteger, romantismo. Mesmo quando eu descobri o que eras, tu vinhas o tempo todo tentar-me.
- Queria sexo.
- Parvo! – abanei-o para ele parar de rir – A sério, Alexander. És um pervertido… A fantasiar com uma aluna, mais nova e virgem. Meu deus, tu corrompes-te uma menor! – fingi alarme.
- Eu nunca pensei que serias virgem. Só descobri quando já era tarde – mordeu a minha orelha – E honestamente, se soubesse antes, não teria feito diferente. Eu adorei, quando tu me disseste que eu também tinha sido o teu primeiro beijo… - sussurrava no meu ouvido, provocando-me.
- Certo, e eu em troca tenho um vampiro desavergonhado. – comecei a murmurar baixinho contra o seu pescoço – Eu quase morro sempre que me tocas.
- E eu quase morro, sempre que tu me tocas de volta… Ou quando te toco.
- Hum.. Alexander, tu pensavas em fazer amor comigo, mesmo quando estávamos na sala de aula? Eu tenho vergonha, mas eu sempre que te via, pensava em como seria beijar-te enquanto davas a matéria de inglês.
- Vergonha? – ele riu divertido – Eu não tenho vergonha, e acredita que eu não pensava só em beijos, quando te olhava. Eu pensava mais, era mesmo em te reter no final da aula. Sozinha comigo na sala.
- E depois o quê? – sussurrei.
- Fazer uma ou duas coisinhas – soltou um riso baixo e rouco – Lembras-te, quando fizemos na biblioteca da mansão que sempre achava assombrada lá na vila? A minha casa que sempre ias assim que possível? – a sua voz estava tão sedutora, que eu prendi a respiração assentindo.
- Não esqueceria nada que vivemos juntos.
- Bem, nos fizemos contra umas estantes, e eu também te dobrei numa mesa lá… - mordeu a minha orelha – e tu gemias para mim, tão perdida na paixão como eu… E eu, eu fazia as coisas que me passavam pela cabeça fazer depois da aula… Já sabes?
Engoli em seco e assenti, novamente sem poder falar.
- E lembras-te daquela vez, em que foste a minha casa, e eu ajudei-te numa matéria de espanhol, e bom… - ele riu sedutor – eu não esperei muito, até te puxar para o meu colo, tirar a tua roupa toda, e fazer amor contigo, e tu gemes-te que me amavas... Tudo isso, eram coisas que me tinham passado pela cabeça… e daquela vez que nos fizemos – o som do telemóvel dele a tocar parou o dialogo.



Coloquei as mãos nas bochechas que estavam tão quentes, que devia estar corada até a raiz dos cabelos. Ele ainda me fazia corar o tempo todo.
Pensei que estávamos tão leves de novo. A calma, depois da tormenta. Costumava ser sempre assim, e depois começávamos de novo e de novo. O tal ciclo vicioso e sem fim. Mas tínhamos que terminar com aquilo. Tínhamos de arranjar forças para superar todas as feridas, ou perderíamos para sempre.
Saí do capo, e rápido entrei no carro e entreguei-lhe o telemóvel. Ele estava com um sorrisinho no rosto, que ainda me fazia corar mais. Pelo que percebi, era do aeroporto, tínhamos de chegar lá rápido, porque já estávamos atrasado se queríamos chegar ainda antes do sol nascer. Definitivamente, não tínhamos dado pelo tempo passar.
- Bem, terminamos a conversa quando estivermos no castelo… - disse divertido Alexander enquanto ligava o carro.
- Eu sempre disse que tu ficavas muito manso depois de fazer amor. – provoquei-o enquanto ele arrancava.
- Olha quem fala! – a sua mão pousou no meu joelho – Ainda temos de parar para te comprar umas calças – apertou o meu joelho nu. – Parece que nem sempre sou manso… - piscou o olho. Eu revirei os meus, e depois ambos rimos.
Obvio que fomos o resto da viagem com um sorrisinho nos lábios. E eu só queria, que aquela nova trégua durasse bastante tempo. Que desta vez, começássemos a fazer as coisas certo, e pudéssemos voltar a confiar mutuamente um no outro. Por mais que nos amassemos imensamente, cada vez mais, por mais que nos desejássemos loucamente, o caminho que seguíamos, não ia acabar bem.

Quando descemos do avião particular de Alexander, o seu carro já estava á espera dele. E durante a viagem de volta para o castelo, eu estava tensa. Não sabia se estava preparada para voltar ao castelo. Mas ao mesmo tempo, eu queria imensamente. Porque, uma das coisas que eu sempre tinha tido medo, era que Alexander me mantinha longe do castelo por ter vergonha de estar comigo de novo. E ele dissera que era por estar preocupado comigo, com o que eu sentiria ao ver todos e os seus olhares reprovadores, já que mesmo ele ordenando respeito e que nenhuma palavra seja referida a mim com falta de respeito, os olhares e o meu incomodo ele não podia evitar. E ele tinha razão. Fora ali que tudo acabara, e tínhamos que começar dali.
Estavam ali grandes marcas, memorias tão dolorosas, e juntos, tínhamos de superar isso. Esquecer essas más memorias, e pensar que também tínhamos bons momentos ali. E que, teríamos muito melhores pela frente.
- Pronta? – Alex levou a minha mão aos seus lábios.
- Sim. – sorri nervosa – Pelo menos, já tenho calças. – tentei fazer piada.
- Não estejas nervosa. Eu estarei o tempo todo ao teu lado.
- Eu sei. – sorri-lhe.
Estávamos nos portões principais, e eu olhava para o imponente castelo, sem saber bem o que sentia. Foi então que eu reparei.
Reparei num dos vampiros que guardava os portões e prestava respeito á entrada para o seu rei. Reparei na pele pálida do vampiro “normal”, e mesmo com o luar, deu para perceber os cabelos meio dourados.
Não. Isto não estava a acontecer.
Os olhos castanhos, olhavam ansiosos para o carro. Até que cruzaram com os meus.
Pânico dominou-me.
O vampiro desviou o olhar e continuou o seu trabalho.
Se eu fosse humana. Tinha vomitado.
- Bem vinda, pequena. – disse Alex antes de voltar a avançar com o carro encarando-me com o meu sorriso torto e beijou-me puxando delicadamente o meu lábio inferior com os dentes. – Vai ficar tudo bem, agora. Nós vamos ficar bem.
Eu assenti, nervosa e um tanto em pânico. Alex, deu-me a mão, pensando que o pânico seria uma reacção á volta do castelo. Uma reacção normal que ele tentou dar-me alento, segurando-me na mão, mostrando que estávamos juntos nisto.
Mas não era pelo castelo. Não.
E não ficaria tudo bem.
Não. Definitivamente não ficaria.
Não sei como, mas aquele vampiro… Aquele vampiro, sem qualquer sombra de duvida, era Yakiv.

Bem, que tal? Estão a gostar do desenrolar da historia?
Ah… Agora quero saber se alguém verteu uma lagrimazita, ou sou eu mesmo que ando sensível de mais. (Como sempre. Lol) Não a sério, os sentimentos passaram?


Aquela parte da conversa da Nikka e do Alex, no capo do carro, gostaram?
Eu gostei de relembrar "velhos tempos" xD e ao mesmo tempo, colocar novas coisas referentes a esses tempos. Espero que tenham gostado.
Já deu para matar um pouquinho a saudade destes dois? – que ainda têm um bom caminho a percorrer. Ainda á muitas feridas para curar…
Bem, comentem ;) Nem que seja o bonequinho com o braço no ar -> o/ a dizer que gostaram e que esperam por mais. Eu gosto imenso de saber o que acharam do capitulo. É mesmo importante para quem escreve :) Então se gostaram., deixem-me saber, ok?


p.s-> Ok, se calhar fiz um capitulo grande de mais… sorry… Vou ver se na próxima faço mais pequeno ou assim. Se bem que eu sempre posto por volta da mesma coisa, capítulos longos, mas se acharem cansativo, e assim, eu posso postar em duas vezes. Tipo parte I e parte II.


Acho que se este capitulo cansou, foi tambem por ter sido assim para o intenso a nivel sentimental. Quer dizer, para mim foi.
Beijinhos, até o proximo capitulo :*