sexta-feira, 1 de julho de 2011

3º & 4º Capítulo


Olá minha gente! xD
Aqui trago os dois capítulos de "Quase Sem Querer". Espero que gostem, eu pessoalmente gosto, depois digam a vossa opinião! :D Isto está para o grande, foi para compensar, e tambem porque esta história (comédia romantica) tem poucos capítulos... Se não gostarem assim, digam que eu depois post mais pequenos... Aqui tambem vão dois, de qualquer forma, por isso é que é tão grande xD
Capitulos dedicados á vera Martins!! Espero que gostes querida! :)

Divirtam-se todos! :)

3º Capítulo




Quando decidi passar a tarde com Ryan, nunca iria imaginar que o tempo junto com ele teria sido muito mais que delicioso e ao mesmo tempo atribulado. Nunca fui tão eu mesma, desde… sempre. Ele não se importava com a minha estupidez, e ria de mim, e eu… eu não me importava nada. Como ele também não se importava quando eu ria dele.
Quando ele me foi buscar a casa de carro, sentia-me reticente, porque ele tinha dito que os seus pais não estariam em casa (o que foi óptimo para mim, não queria conhece-los naquelas circunstancias), mas ele tinha dito que também não queria-me apresentar. O que só podia ser, porque achava que não ia apresentar uma rapariga como eu aos pais, tão sem noção e tão burra. Eu podia ser boa para desfilar na escola e impressionar esses, mas não os importantes, porque esses definitivamente achavam o Ryan muito melhor e que perdia tempo comigo.
No entanto, o silêncio foi posto de lado, com a sua gentileza, e o bom humor que eu começava a descobrir nele. Era engraçado em como ele vinha a surpreender-me, pela positiva. Mostrou-me a sua casa (eu acho que é mais uma mansão, sinceramente), mas não me mostrou toda, porque eu não estava interessada em saber qual era a sala que a mãe dele recebia as amigas, e a sala onde recebia as esposas do seu pai dele, e definitivamente não queria saber qual a sala que o pai dele ia depois do jantar para beber um copo do whisky.
E Ryan também não se importou nada, porque não se sentia orgulhoso daquilo, era normal para ele, alem de que, aquilo tudo não tinha sido uma conquista dele e isso justificava o seu tom de voz desinteressado quando me explicou isso. Eu disse-lhe que a casa dele era muito sofisticada, muito luxuosa e moderna, mas muito impessoal supunha. Ele concordou e disse que era porque a mãe dele contratara um decorador, e tirara toda a personalidade que uma casa devia ter e fazendo-a parecer uma casa de revistas de decorações e moveis, e não onde vivia uma família feliz.
O quarto dele, no entanto, era totalmente diferente. Era completamente a cara dele, amplo e cheio de espaços onde eu o imaginava a caminhar e divagar sobre temas que eu nunca iria chegar perto de compreender. Tinha uma enorme estante cheia de livros que quando fui ver, descobri que estavam organizados por temas, dentro dos temas estavam organizados por autores em ordem alfabética com aquelas plaquinhas típicas de biblioteca a indicar e dentro dos autores ordem de publicação. Mostrava a sua organização estrema!
Sentei-me na cama grande dele, coberta por uma colcha azul, enquanto observava tudo o resto. A secretaria dele, onde devia estudar, estava mais organizada do que a minha no fim de eu a arrumar (isto é, a partir de que comecei a estudar com ele, já que antes a secretaria não tinha utilidade alguma). Ao lado dessa secretaria, havia outra onde tinha o seu computador, um microscópio, e o peças robóticas que deduzi serem do tal projecto que ele estava a fazer por diversão. Ele estava sentado na cadeira giratória na secretaria do projecto enquanto me observa, cadeira que eu já o imaginava a arrastar da secretaria de estudos para aquela e vice versa.
Ele olhava-me, enquanto eu reparava nas paredes pintadas de branco, com quadros de prémios dele, e alguns quadros decorativos.
- O teu quarto é completamente a tua cara!
- Hum, nem sei se estas a dizer que isso é bom, ou não.
- Eu gostei – ri. – Só, acho estranho… Quer dizer, tu tens aqui todos quadros e taças dos prémios ganhas-te… Porque as tens aqui? De certeza que a tua mãe ia gostar de as ter na sala, para mostrar a todos… Quer dizer, todos os concursos que ganhei de beleza desde pequena, a minha mãe tem espalhado em lugares que todos possam ver, acho que são coisas de orgulho de mãe…
- Não coisas da minha mãe.
Com aquela simples resposta, percebi que a mãe dele ou o pai, pouco se importavam com o filho. Como se desde que ganhe e passe na TV o seu único filho, para o nome da família ser mencionado com mais uma vitoria para ela estaria perfeito. Senti uma revolta, quando percebi que eles vinham o filho mais como uma aquisição que tinha de ganhar, como se fosse um desses cães que ganham medalhas. A quem se dirige com disciplina rígida e que não podem lamber o nosso rosto.
- Bem, eu tenho orgulho por namorar, embora de mentira, um rapaz tão inteligente – sorri-lhe.
- Mas isso significa que sou um Nerd, Caroline. E que eu saiba isso é coisa que te faz alergia.
- Mas, já que tens de ter um namorado Nerd, ao menos que seja um que seja o melhor – brinquei.
Levantei-me da cama, e pedi-lhe para me dizer o que estava a fazer no tal projecto.
Não percebi nada, mas gostei de ouvir, porque ele falava animado e entusiasmado, com paixão. Mostrou-me alguns esquemas no computador que mostrava o projecto final, e todas as etapas que ele criara para chegar lá.
Depois passamos um bom tempo, a jogar playstation, onde eu ganhei. Desconfiei que ele me deixou ganhar, embora ele tivesse dito que não. Lanchamos e voltamos para o quarto dele, onde conversamos sobre preferências musicais, que até eram parecidas, mas tudo o resto éramos completamente diferentes.
- Tu gostas tanto de ler! – apontei para a sua estante – Eu acho que nunca li um livro inteiro. Melhor, acho que nunca tive paciência para passar do 2 capitulo no máximo.
- Talvez não tenhas escolhido o indicado. Para começar, tens de escolher um tema que te chame á atenção, um tema que gostes. Por exemplo, disseste que gostas de comedias românticas. Devias começar por um livro do género, ou um romance. E tem de ser um livro com uma escrita suave, e não muito complexa para começar…
- Mas, como eu vou conseguir ficar tanto tempo a ler um livro? – espantei-me.
- Eu sou suspeito para falar, porque eu realmente gosto, mas nem dás pelo tempo passar, só queres desvendar o final da história, da vida que existe no meio daquelas folhas.
- Falando assim, até me dá vontade de ler! – disse tentando não parecer como uma beata cristã a ouvir um pregador de testemunha de Jeová.
- Queres que te indique um, para começares? – eu assenti ainda meio reticente mas ansiosa também para aprender a gostar de ler, para ter algo que partilhar com Ryan. – Acho que tenho um que vais gostar… - levantou-se e procurou na sua estante – Já li este, no entanto não continuei a série. Comporei por insistência de uma amiga, e terminei de ler mais por o ter começado do que outra coisa. No entanto, acho que agrada mais a raparigas. Acho que vais gostar. – finalmente encontrou o livro que procurava e tirou-o da estante com cuidado.
- Muito grande! – tipo, ele não tinha assim um fininho, como uma revista? Não podia começar com um livro de banda desenhada?
- Experimentas, se gostares o tamanho não vai importar. E se realmente achares que a história é fascinante e te apaixonares pelo enredo, vais achar até pequeno de mais. – entregou-me o livro.



A capa, era duas mãos pálidas e femininas, segurando uma maçã. A capa era linda, e misteriosa. Twilight.
- Acho que já ouvi falar. Não é de vampiros?
- Sim. Tenho uma amiga que é muito viciada nisso, por insistência dela comecei a ler, mas não é bem uma historia que me agrade, não sei, só não me entusiasmou. Mas acho que será perfeito para ti. Confia em mim, lê.
- Ok. Obrigada! – coloquei o livro na mala, decidida a fazer um esforço para ler aquilo. Ao menos, para ele ver que tentei.
Recebi uma mensagem, e quando fui ver, fiz careta ao ver que era Chris. Respondi-lhe rápido, tendo a certeza que ele não me responderia de volta. Reparei que Ryan apesar de não me ter perguntado quem era, ficou curioso.
- Era o Chris. Parvalhão, estava a perguntar se já me tinha cansado de brincar contigo. Respondi-lhe que só me cansaria quando ele se cansasse de ser um idiota. Ele não gosta de discutir comigo, não deve mandar mais nada hoje.
- Ele manda-te sms, ainda?
- Ás vezes. – encolhi os ombros – Ele não consegue acreditar que eu o deixei, para ficar contigo. Super ego. E fui logo troca-lo por ti, que ele não suporta – ri – O ego dele não aguenta.
- Talvez, ainda esteja apaixonado por ti. – sentou-se na cama, encostado á cabeceira, pensativo.
- Chris nunca esteve apaixonado por mim. – afirmei.
- Se calhar, não devia ter-te obrigado a acabares com ele. Mas não pensei que realmente gostasses dele. Digo, que o amaces e isso…
- Não penses nisso.
- Mas, eu não quero que fiques triste. – lamentou-se - Não quero ser responsável pelo teu coração partido…
- Nunca pensas-te nisso, antes. – estranhei.
- Como disse, achei que vocês não se gostavam mesmo… Não sei, eu só… - suspirou fundo - Mas, se és feliz com ele, e te estou a fazer ficar triste e com saudades do teu grupo… Podemos acabar com isto.
- O quê? – quase gritei – E os estudos? – agarrei-me á primeira coisa que me lembrei. – Disseste que me ajudavas! – acusei.
- E continuarei. Posso ser teu amigo, só… Não quero que sofras. Acho que nunca pensei que estarias mal longe daquela gente, pelo contraio sempre pensei que eles te faziam mal. Mas, se te faz fazer ficar triste longe das coisas de antes, não quero ser o responsável por isso… - sorriu um pouco tenso – Afinal, já consegui tirar a namorada de Chris, de qualquer forma.
- Mas o combinado foi, até o final do ano, certo?
- Sim, mas estou a dar-te a hipótese de saíres disto agora mesmo.
- Por mim, estou bem assim… Quer dizer, tu sabes que ajuda imenso na relação com os professores eles pensarem que sou tua namorada, já para não falar da minha mãe… Só se não for mais vantajoso para ti…
- Por mim, estou muito bem assim. Então, se está tudo bem para os dois, continuamos com a mentira?
- Sim – assenti fazendo força para não sorrir aliviada. Não sabia o que se passava comigo
- Óptimo! – exclamou sério
- Mas mesmo que não continuássemos, eu não voltaria para Chris. – confessei baixinho.
- Porque? Já não gostas mais dele? – perguntou interessado, chegando-se mais perto, como se como falava baixo ele não fosse ouvir.
- Hum… - nunca tinha contado a ninguém aquilo, mas acho que nunca tive alguém em quem realmente podia confiar. Um amigo de verdade. Acho que podia confiar em Ryan, afinal, nos também tínhamos um segredo. – Acho que posso confiar em ti… Somos amigos, certo? Amigos de verdade, não é?
- Claro que sim – sorriu concordando e incentivando-me a continuar.
- Estranho. Acho que só agora me passou pela cabeça, que nestas semanas, nos tornamos amigos. Se á um mês atrás me dissessem que ia ser tua amiga, eu riria na cara da pessoa. -ri.
- Então, já não gostas do Donavan? – insistiu no tema.
- Eu… Bem, no inicio eu achava que gostava. Quer dizer, ele é o capitão e isso tudo. Parece fútil, mas era como se toda a gente esperasse que namorássemos. E bem, não havia ninguém que de quem gostasse, então, ficamos juntos. Mas, eu não gostava dele, e ele sentia o mesmo por mim. Tinha-mos este acordo, tipo o nosso. Só para ficar bem na fotografia, sabes? – falava baixinho, pensativa.
Admirei-me, porque Ryan começou a gargalhar divertidíssimo.
- Ryan? Estás bem? – olheio como se ele fosse o louco do jardim perto de minha casa, que falava com as formigas, com tom paternal, para depois as esmagar e começar a chorar e gritar “Porquê?”
- Sim, sim… - tentou controlar as risadas – Só, nada. É que, não podia imaginar isso. Quer dizer, vocês disfarçavam bem…
- Nós também disfarçamos bem. – apontei – Ao primeiro as pessoas não queria acreditar, mas agora ninguém desconfia do que planeamos. Realmente acreditam que deixei o Chris, porque nos apaixonamos, Ryan.
- Verdade. Mas, o Chris dizia… - ele ficou tenso novamente – Bom, já que vocês fingiam, ele andou a dizer coisas que namorados de mentiram não fazem.
- Ah. – encolhi os ombros.
- Não te importas? – estranhou – Avisaste-me para não andar a fazer essas coisas, de me gabar, e na verdade não te importas que o imbecil o diga? – zangou-se - Oh, deixa-me adivinhar, com ele é diferente, porque ele é o capitão de equipa e com ele tu também parecerias bem. Já comigo, o nerd, não pareceria tão bem para ti! – acusou furioso.
- Ey, calma aí! Eu só disse que não queria ser falada, e continuo a não querer! E tu disseste que não eras esse tipo de rapaz!
- Não sou. Mas não muda o facto de teres vergonha de namorares comigo, mesmo de mentira.
- Não é isso! – disse calmamente, não querendo chatear-me com ele. – É que é meio normal o Crish dizer isso, percebes? Não esperaria outra coisa da parte dele.
- Então, o facto de ele ser um imbecil, desculpa-o?
- Não, desculpa-o o facto de que o que ele disse, provavelmente ser verdade. – disse de com rapidez, levantando-me quando vi o rosto surpreso de Ryan.
- Ah. – ouvi-o dizer.
- Eu só… não penses mal de mim, ok? – virei-me atrapalhada para ele – Eu só, pensei que ele gostasse de mim.
- Caroline, isso não me interessa. A tua vida sexual não me diz respeito…
- Então, porque me estás a olhar dessa forma? – acusei – Não fiz nada de mal.
- Eu sei, eu só, não sei… Não te estou a julgar ou isso. – tentou esclarecer. E falhou.
- Sim, claro. Notasse perfeitamente! – com um gesto de mão apontei para o seu rosto. – Vejo perfeitamente a compreensão! – não pode evitar as lágrimas caírem, mas limpei-as rapidamente – Sinto-me tão humilhada neste momento. – peguei na minha mala sem olhar para ele – Acho que é melhor ir embora. Podes levar-me? A minha mãe não está em casa, e não pode vir-me buscar.



- Ey – tirou-me a mala e segurou-me pelo braço firme, mas não com força o bastante para me magoar – Não vais assim. Eu não quero humilhar-te. Não é isso. Nem te estou a condenar ou qualquer outra coisa. Estás a ouvir? – assenti sem nem olhar para ele – Não tenho nada que condenar as tuas escolhas, ou o que quer que seja. É a tua vida. Eu sempre pensei que tinhas sexo com o ogre dos bosques – soltei quase um sorriso com o apelido dele - todos pensaram, e é normal. Afinal era o teu namorado, e tiveste outros antes. É normal teres relações sexuais com o teu namorado. Eu só estranhei, foi quando me disseste que era um namoro de mentira também, como o nosso. Por isso te avisei do que ele dizia, porque fiquei com raiva dele.
- E então, ficaste desiludido comigo, por ter feito com ele. Não foi? – ele ia negar, mas eu cortei – Não mintas, ok? Eu vi no teu olhar. Mas que queres que diga? Eu acreditei que gostava dele, e que ele gostava de mim! Caso contrário, como é que ia perder a virgindade com ele?
- Não sabia que foi com ele que fizeste pela primeira vez. – notei o seu ar de espanto.
- Certo, pensas-te que a fútil da Caroline é também uma puta. Muito obrigada! – eu acho que nunca me senti tão humilhada – Toda a gente pensa isso, não é? Que lá por gostar de roupas, ser vaidosa e gostar de ser bonita e sensual tenho de ser uma puta que vai para a cama com todos? E depois sou eu que sou burra! Cambada de preconceituosos! – rugi – Queres saber Ryan, lá por adorar ser bonita, e gostar de ser sexy, gostar de mostrar que o sou, não significa que não tenha respeito por mim mesma! E se… Se foi para tentares a tua sorte, já que eu sou uma puta, estás muito enganado! Saí da minha frente! – tentei passar por ele, que tentava barrar o meu caminho.
- Pára! Não digas parvoíces! Não pensei nada disso, não ponhas palavras na minha boca, entendido?! – gritou também – Nunca que iria usar-te dessa forma, estou a fazer-me entender?! – agarrou os meus braços e abanou-me ligeiramente – Alguma vez tentei algo? Alguma vez te toquei sem autorização, ou tirei vantagem da minha posição? Não. Eu pensei que me visses como um amigo. E, sim eu pensei que já tinhas iniciado a tua vida sexual antes do Crish. Mas não por seres uma puta, mas é normal sendo tu tão bonita. E o número de parceiros sexuais, não diz nada sobre uma mulher. Eu não julgo uma mulher pela sua experiencia sexual. Agora, acalma-te e pensa direito. Não metas palavras na minha boca, e muito menos me ofensas com esses pensamentos ridículos e ofensivos sobre mim. – ficamos a encarar-nos muito tempo, e ele só me largou quando percebeu que estava mais calma. – Melhor?
- Sim.
- E eu não estou desapontado contigo. – disse com firmeza. – Nunca o podia fazer, ainda mais quando gostavas do palhaço. Por mim, eu dava-lhe era um bom murro, por tirar vantagem de ti, quando tu gostavas dele e ele fingia. Imbecil.
- Eu não sou uma vitima. – esclareci – Fiz porque quis. Arrependi-me? Sim. Mas afinal, é a errar que aprendo. Podes ter a certeza, que noutra não me meto. – arrepiei-me surpresa, quando ele afagou a minha bochecha, molhada pelas lágrimas. Mas não fugi do gesto. Gostei da sensação do seu toque gentil e suave.
- Não chores. Ele não merece. – Quase fechei os olhos, com a sua carícia. Nunca um rapaz me tinha acariciado assim, tocando-me na pele e fazendo-me sentir no coração.
- Eu sei. Não estou a chorar por causa dele. Mas por mim, e por tudo o que pensam de mim. Não é que me importe o que os outros pensam, é só que, também não quero que pensem que sou uma puta.
- Caroline, muitas raparigas fazem o que fazias com o Crish. Praticar sexo a 3, é uma coisa que muitos casais fazem. – olhei-o espantada sem saber se tinha ouvido bem, enquanto ele falava calmo e compreensivo – É normal. Aliás, eu já fiz. – sorriu envergonhado com aquilo - Estava muito bêbado, é verdade, mas embora não tivesse amor envolvido. O que foi a coisa que me espantou, sendo ele o teu primeiro e como gostavas dele deixares outra mulher entrar na vossa relação sexual. Porque pensei que eras daquelas raparigas que gostam de exclusividade. O que não significa que te critique, pois é natural hoje em dia separar-se o prazer do amor e…
- ESPERA AÍ! – gritei tão alto, que ele saltou de susto, pois estava a raciocinar sobre o que conversávamos atentamente e a mão que ainda fazia carinhos leves na minha bochecha saltou – O que estás a falar?
- Estou a dizer, que não te cesuro, ou qualquer coisa parecida…
- Diz-me uma coisa. O que aquele filho da puta disse de mim? – sussurrei, aquele sussuro calmo que dava quando a minha mãe tingia uma camisola Dior.
- Eu…
- Ryan, eu não sei o que ele disse de mim, quantas vezes disse que fez, ou o que disse que eu fazia ou ele fazia durante o sexo. Embora eu achasse meio normal ele exagerar na sua performance. Típico de rapazes dizer isso. Não o julguei, porque é normal os rapazes falarem disso com os rapazes, ainda mais nos balneários, e tudo o mais. Mas pensei que ele falasse ao menos um pouco verdade.
- Nem todos os rapazes. – afirmou, mas eu não estava a tomar atenção a ele.
- Mas, eu juro, que o que ele disse é mentira. Eu não tinha relações sexuais a 3. Eu na verdade, tive uma relação sexual com ele. – suspirei fundo, para não me emocionar e não me deixar atingir pela raiva e magoa – Uma relação falhada. Eu disse-lhe que era virgem, ele disse que esperava por mim o que fosse preciso. Claro que ele esperava, mais tarde percebi porque ele não forçava muito. Tinha Alice e outras para o satisfazerem. Então, como ele era tão atencioso, me defendia e tudo o mais que o namorado perfeito possa fazer, eu pensei que ele era o tal. E disse-lhe que queria fazer com ele, no dia do meu 19 aniversário. Queria que fosse especial. Ele disse que me levaria para um hotel, numa suite porque eu era especial. Que seria perfeito. Quando íamos a caminho, parece que ele recebeu um telefonema do hotel, e ouve um problema, não teríamos a suite. Ele pediu-me desculpas, e eu disse-lhe que estava tudo bem, que eu não me importava com isso, que bastava só estar com ele. Tão burra, acreditei direitinho. Então, ele levou-me para um motel decadente, e posso te dizer que não foi especial, não me senti única, w não foi tudo aquilo com que sempre sonhei. Pelo contrário. A coisa toda demorou 5 minutos, sendo ele o único a ter prazer. Eu fiquei com a dor e a falta de carinho e compreensão da parte dele comigo, que nunca tinha feito nada daquilo. E no fim, ele levantou-se, deu-me uma latada na coxa murmurando algo como “foi bom”, nem me deu um beijo e foi tomar banho. Só faltou atirar-me uma nota para cima de mim pelo serviço. Levou-me a casa e aí eu percebi que ele não gostava de mim, e eu muito menos gostava dele. Quis acabar, então ele propôs a farsa. – suspirei pensando nas recordações - Aceitei, afinal era vantajoso para os dois, e não valia a pena fazer um drama por aquilo. Acontece a muitas raparigas e eu não ia morrer por isso. Ao menos, ele usou preservativo. – nem percebi como ele se moveu, só senti os seus braços á minha volta, quentes e calorosos. Um ombro amigo - Portanto Ryan – o som das minhas palavras saiam agora abafadas pelo seu ombro - qualquer coisa que ele tenha dito, alem de termos feito uma vez, e ele ser o meu primeiro e tudo ter sido óptimo na mente dele, foi mentira descarada.
- Eu vou matar aquele filho da puta! – rugiu.
- Não importa. – abracei de volta, já que até ali tinha resistido e mantido os braços junto ao meu próprio corpo. Mas era tão bom, poder só… Abraça-lo de volta. – Se é isto que ele quer, ele que me aguarde. Que não pense que vai ficar assim. – sorri, um sorriso de vingança – Eu não sofro mais com isso. Só que custa, ouvir todas as mentiras que ele disse. Nem quero imaginar o que ele pode ter dito mais. Aquele porco!
- Eu vou acabar com a raça dele! Filho da puta!
- Ey, calma – tentei brincar – Ele ainda continua maior que tu. – não, na verdade Ryan era mais alto - Ao menos, mais músculos ele tem que tu, Ryan… - sim, Chris tinha músculos firmes e volumosos, enquanto Ryan tinha um corpo mais alongado e esbelto, no entanto, ali abraçada a ele senti a firmeza dos seus músculos, pela sua tensão. Não era magro como eu pensava. Nunca me tinha aproximado o suficiente para o saber, e a descoberta fizera o meu coração acelerar um pouco.
- A inteligência ganha á força bruta. Garanto-te que um murro com a força certa e no sitio certo, ele não se levanta mais. – ainda o sentia tenso, quando se afastou e beijou a minha testa. – Como ninguém lhe deu um bom murro e o deixou continuar a contar aquelas historias? – era melhor eu nem perguntar quais eram as historias.
- Foste o único a quem contei. – dei um sorriso tímido, enquanto ele corou e passou a mão pelos cabelos alinhados.
- Prometo-te que isto não vai ficar assim.
- Não te preocupes. Já foi á bastante tempo, já superei isso. Nem penso nisso. Só te contei, porque me senti mal e senti que me recriminavas, quando eu não tive culpa além da culpa de ser uma burra que acredita em tudo. E tu, só estavas a basear-te nas historias daquele imbecil…. E tu, ainda estavas a dizer que não me censuravas…
- E não censuraria. Desculpa se te fiz sentir mal.
- Não fizeste. Ainda bem que te contei, sinto-me mais leve. Acho que o facto de te contar algo assim tão intimo, e que não contei a ninguém, faz de ti, tipo, o meu melhor amigo. – disse timidamente.
- E eu fico muito lisonjeado com a promoção. – brincou – Caroline, estarei aqui para tudo, percebes? Não estás sozinha. Sei que te sentias assim naquele grupo de merda, onde todos lixam todos, mas eu sou teu amigo de verdade.
- Obrigada. – sorri – Achas que agora me podes levar a casa?
- Claro. Deves querer estar um pouco sozinha, depois disto…
- Algo assim.



Íamos no carro, quando me lembrei de uma coisa que Ryan dissera.
- OMG!
- O quê? – espantou-se.
- Espera aí, eu ouvi bem, ou tu disseste que já tinhas feito sexo a 3? – abri a boca totalmente, completamente chocada – O…M…G – ele estava muito corado.
-Volto a frisar que estava bêbado. Muito bêbado, mesmo.
- OMG…
- As raparigas não eram inocentes, nem nada do género. Acho que estávamos todos bêbados.
- Não sei o que dizer… OMG, 1º tu estavas bêbado! Nunca pensei sequer que bebias álcool! 2º Em que tipo de festas andaste para isso acontecer? Pensei que nem frequentavas festas! E 3º OMG, sexo a 3? Eu pensei que eras virgem!
Estava completamente chocada. E Ryan corara até a raiz dos cabelos.
- Eu…
- Não era suposto seres Nerd? Quer dizer, eu… estou chocada.
- Não estejas. Lá por ser o Nerd na escola, não significa que não tenha vida? Ok? E lá por me achares desinteressante, não significa que ninguém queira ter sexo comigo.
- Ey, não disse isso! Só achei estranho…
- Certo, porque eu tinha de ser virgem, não é? Porque o Nerd nunca teria ninguém que se sujeitasse a fazer sexo com ele, certo? Posso não ser bonito, mas tenho outros atractivos! – dizia zangado – E para que saibas, perdi a minha virgindade quando tinha 16 anos, e garanto-te que a rapariga teve bem prazer. Eu não durei 5 minutos! E, sempre tive relações sexuais com frequência, e as parceiras estavam ansiosas por elas! – eu realmente devia ter ofendido o seu orgulho masculino, já que ele quase gritava – Posso não te interessar nesse campo para ti, mas não significa que não interesse outras. Se não for mais, pensa que como filho do governador, com um futuro promissor e uma conta bancária razoável para alguém da minha idade, isso soa bastante atraente para algumas raparigas. – respirou fundo – Pensas-te o quê? Vou fazer 19 anos em Setembro, já me vias como aquele personagem ridículo do filme virgem aos 40? Não é? E caso não percebes-te, estás a ofender-me com a conversa.
Silencio.
- Desculpa – murmurei – Não era minha intenção que soasse dessa forma. Só estava surpresa.
- Claro.
- Não havia necessidade de gritares comigo. – resmunguei baixinho, e ele não respondeu.
Só ligou o rádio e colocou uma musica de rock – que descobrira que ele gostava, hoje.
- Alem disso, escusavas de mandar a boca do “Eu não demorei 5 minutos!”, ou garantires-me que a parceira com quem perdes-te a virgindade teve prazer. – ele apertou o volante com força, percebi pela tensão dos seus punhos - Parabéns, suponho que foste mais feliz do que eu nesse campo.
- Caroline…
- E não estava a dizer que eras repulsivo nesse campo ou algo assim. Só me surpreendi, porque sempre pensei que nem te interessasses nessas coisas, e antes que digas que te estou a chamar de gay ou algo assim, não é isso. Só fiquei surpresa, porque nem sabia que bebias, ou que frequentavas festas. Nunca te vi a fazer nada disso. E eu estava a brincar, a exagerar um bocado na reacção como sempre faço. Depois destas semanas, já devias estar habituado ás minhas cenas. – olhava pela janela, enquanto falava – Além disso, não te via como o virgem de 40 anos, e não vejo qual o mal disso realmente. Para mim pior são os rapazes como o Crhis. Parabéns, tu vais fazer 19 anos em Setembro, e tens uma vida sexual óptima, não és um virgem. Eu vou fazer 20 em Outubro, e nesse dia não vou deixar de pensar em como um, ano atrás perdi a virgindade e em que circunstancias. E vou desejar ser virgem. Mas parabéns de qualquer forma. És um macho.
- Caroline… - tentou novamente.
- E para a próxima, ficas já a saber que não gosto que gritem comigo, ou esbracejem dessa forma. Tanto que as pessoas da rua viraram a cabeça com pena de mim, como se estivesse prestes a apanhar do namorado. Não faças isso de novo, não por uma parvoíce destas. Por uma coisa séria, estás a vontade de mostrares o teu ponto de vista, eu seria a primeira a faze-lo. Mas por isto? Eu não reagi dessa forma no teu quarto, e parece-me que teria mais razões para o fazer do que tu.
- Eu… Desculpa! E lamento mesmo aquilo de ter dito aquela boca, nem me apercebi e…
- Estamos a chegar. – disse só para o interromper, já estava a ver a minha casa – Obrigada pela boleia.
- Caroline, espera… - segurou o meu braço, enquanto eu tirava o cinto e ia abrir a porta. – Não vás assim chateada comigo…
- Não estou. Até segunda.

4º Capitulo



E saí do carro, entrando em casa sem nem olhar para trás. Só quando ia subir as escadas, é que ouvi o motor do seu carro potente a arrancar a alta velocidade. Ele ás vezes era tão fofo e meigo, outras enervava-me e magoava-me. Mas afinal, eu também não era perfeita.
Deixei o assunto de lado, e comecei a abrir o meu e-mail, procurando pelos e-mail’s de Crihs onde ele pedia desculpas por não me ter dado prazer naquela noite, e que prometia para a próxima09 aguentar mais. Aqueles e-mails onde falávamos em como íamos mentir e na verdade não tínhamos intimidade e outros do tipo. Imprimi tudo, junto com fotos que ele me mandava com cuecas de mulher, na brincadeira. Ele ia-me pagar por ter andado a inventar coisas sobre mim, podia apostar!
Depois de ter imprimido tudo, fui á gráfica que havia na minha rua, e pedi cópias daquilo tudo, muitas cópias. Ele que me aguardasse, se pensava que aqui a burra e fútil da escola ia ser burra o suficiente para deixar as coisas para lá, estava muito enganado. Quando cheguei a casa, a minha mãe estava a fazer o jantar e perguntou-me como tinha sido a tarde com o meu namorado. Disse-lhe que tinha sido boa, e ela disse que devia ter sido para só chegar aquela hora, mas não o disse como se me estivesse a recriminar ou assim, só foi uma observação.
- Não, eu já cheguei á quase duas horas, só tive a fazer um trabalho no computador e depois fui á gráfica. Por isso só cheguei agora.
Subi para o meu quarto, e guardei todas as cópias, para na segunda levar para a escola. Abri a minha mala que tinha levado para casa do Ryan, e tirei o livro que ele me emprestou e coloquei-o ao lado da cama para antes de dormir ver ler alguma coisa. E quando ia tirar o telemóvel, vi que no visor mostrava que tinha 11 chamadas não atendidas, e 4 mensagens. Tudo de Ryan.
Comecei a ler as mensagens, a primeira devia-me ter enviado mal chegara a casa dele, depois de me ter trazido, deduzi pela hora.

De: Ryan
Para Caroline
18:05

Estás zangada comigo, não é?

De: Ryan
Para Caroline
18:15

Desculpa, fui um imbecil. Estava com o modo parvalhão/bruto one. A sério, lamento mesmo ter sido assim contigo. Perdoas-me?

De: Ryan
Para:Caroline
18:35

Caroline, tens toda a razão para estares assim comigo. Fui imbecil, mas podemos fazer as pazes? Lamento, a sério. Podes dar-me uma estalada se quiseres, que tal?
Ás vezes os melhores amigos, podem chatearem-se e assim… Mas, acabam por ficarem amigos de novo, se a amizade for forte…

De:Ryan
Para: Caroline
19:00

Já percebi que estás mesmo chateada comigo. Já perdi desculpas, e disse que lamento… Espero que esteja tudo bem… Por favor, responde.

As chamadas começavam das 19:15 até á ultima, 5 minutos atrás, ás 20:05. Ele tinha ligado 11 vezes nesse espaço de tempo. Sorri revirando os olhos e decidi mandar-lhe uma mensagem.

De:Caroline
Para: Ryan
20:12

Desculpa só responder agora… Não estava em casa, nem tinha levado o telemóvel comigo. Quer dizer, devia estar quando mandas-te a primeira, mas não tinha o telemóvel ao meu lado, e como estava em silencio, não percebi. Se tivesse, tinha mandado a resposta.
Não estou zangada contigo, Ryan. Como já te tinha dito no carro.

Dois minutos depois, ele respondeu.

De: Ryan
Para: Caroline
20:14

Pensei que não respondias, nem atendias porque estavas mesmo zangada comigo…
E agora dizes que não estás, mas eu sei que estás. Eu conheço-te. Mais uma vez desculpa.

De:Caroline
Para: Ryan
20:17

Eu não estou zangada contigo, Ryan.

De:Ryan
Para:Caroline
20:18

Está bem, se não estás zangada, estás triste ou desiludida comigo.
Não sei escolher qual é pior.

De: Caroline
Para: Ryan
20:21

Não estou nem zangada, nem triste, nem desiludida, ou outra coisa qualquer contigo…

De: Ryan
Para: Caroline
20:23

Então, estás indiferente.

Soltei uma gargalhada com a persistência dele, enquanto lhe respondia. Nunca se tinham preocupado com o que eu sentia.

De:Caroline
Para: Ryan
20:25

Ryan, como disseste, até os melhores amigos têm discussões…. A sério, está tudo bem da minha parte. És tipo, o meu melhor amigo, contei-te coisas que nunca contei a ninguém, portanto não vou ficar zangada por aquela discussão parva. Lamento também ter-te dado uma impressão errada… Ficamos bem?

DE: Ryan
Para: Caroline
20:27

Óptimo. Estamos bem. O que achas de amanha vires aqui novamente, ou fazer-mos outra coisa qualquer?

De: Caroline
Para:Ryan
20:28
Depois digo-te. Pode ser?

De:Ryan
Para: Caroline
20:29

Claro.

De. Caroline
Para: Ryan

Tenho de ir jantar, a minha mãe está a chamar…


Quando ia dormir, olhei para o livro, e encolhendo os ombros decidi ler uma página ou duas. Não sei o que se passou, só sei que eram 9 da manha, quando já me doíam os olhos, e decidi parar de ler. Fiquei tão embrenhada na leitura que não dei pelo tempo parar. Não sei o que se passava comigo, eu nunca gostei de ler. Eu NUNCA li um livro. E estava ali, agarrada ao livro. Estava nos capítulos finais, embrenhada num romance tão bonito e puro que eu só podia ter ficado viciada.
Acordei ás 2 horas da tarde, desci para comer alguma coisa, e a minha mãe disse que aquilo a fazia lembrar de quando saia muito á noite. Quando lhe disse que foi porque estivera a ler um livro que Ryan me emprestara até as 9 da manha, sem conseguir parar a minha mãe ficou tão atordoada que nem sabia o que dizer.
Subi a correr, tomei um duche e vesti-me. Estava a calçar-me e liguei para Ryan colocando o telemóvel em mãos livres.



- Bom dia! – disse assim que ele atendeu.
- Boa tarde, Caroline! – riu – São 3 horas da tarde, dificilmente é bom dia.
- Oh, é que eu acordei agora… Só me deitei eram umas 9 da manha…
- Hum… Sais-te?
- Oh, eu disse-te ontem que depois dizia-te alguma coisa sobre fazermos algo hoje, não foi? – disse tirando a toalha da cabeça, e nem ouvi bem o que ele tinha dito – Desculpa, depois esqueci-me de te dizer…
- Não tem problema.
- Estou a dizer agora… Quer dizer, tens alguma coisa combinada?
- Não.
- Podes vir-me buscar? Preciso falar contigo…
- Claro! A que horas?
- Hum, eu demoro uns 30 minutos a acabar de ficar pronta, depois disso podes vir quando te der jeito…
- Então, estou aí daqui a uns 40 minutos, pode ser?
- Sim! Que tal irmos até a praia? Está tão calor hoje…
-Por mim, tudo bem… Sobre o que querias falar comigo?
- Oh, nem vais acreditar! - exclamei.
Ele riu.
- Tenta a ver se eu acredito ou não... – brincou
- Oh, eu apaixonei-me! Descobri o rapaz perfeito! OMG!
- Ah! – disse depois de um tempo, em que eu tive de o chamar a ver se o telemóvel tinha ido a baixo – Foi? Quando foi isso?
- Ontem á noite! – ri – Nem vais acreditar! Estou eléctrica… Mas depois falo melhor contigo! Até daqui a pouco!
- Está bem.
Estava a acabar de fazer a maquilhagem quando ouvi ele buzinar. Fui á janela, que era de frente para a estrada e vi que ele era mesmo Ryan. Estranhei, porque ele chegava sempre no tempo exacto, e só tinha passado uns 20 minutos desde que ele me ligou, e ele tinha dito que só vinha 40 minutos depois. Ainda faltavam 20 minutos, e 10 necessários para eu estar pronta.
Desci a correr, ainda descalça, e só com um olho maquiado, e abri aporta do carro dele.
- Olá! Eu ainda não estou pronta, disse-te que ia demorar 30 minutos… Queres entrar?
- A tua mãe não se importa? – ele parecia estranho.
- Ela não está. Mas mesmo que estivesse, ela não se importa. Nunca se importa quando trago amigos, muito menos se ia importar quando és tu, Ryan.
- Ok.
Sorri-lhe, enquanto o via a estacionar o carro melhor, e depois seguir-me para dentro de casa.
- Fica á vontade, não te convido a ires ao meu quarto porque aquilo está uma confusão e eu tenho vergonha – confessei meio sem jeito – Mas, depois eu convido-te, quando aquilo não estiver a parecer um campo de batalha, está bem?
Ele assentiu, com as mãos nos bolsos, meio sério.
- Estás estranho, hoje… - dei de ombros enquanto comecei a subir as escadas – Fica á vontade. Vou tentar não demorar muito. – brinquei.
Quando desci, já pronta, 15 minutos depois, ele estava a ver as minhas fotos espalhadas pela casa.
- És tu, não és? – apontou para uma foto de uma bebé, de uns 10 meses.
- Sim… Era super gordinha, não era? – abanei a cabeça. Naquela foto eu estava de fralda apenas, a pele dourada e o meu cabelo preto na foto estava pequeno todo despenteado, mas com um lacinho cor de rosa. Os meus olhos cinzentos e grandes, desde bebé que tinham longos cílios que com aquelas bochechas sempre que ria quase escondia os olhos. E estava com o queixo babado, a rir-me só com dois dentes – Ey, não olhes ok? Estava com as maminhas á mostra!
Ela riu divertido, enquanto olhava a foto e depois olhava para o meu decote da t-shirt branca, fazendo-me ficar um bocado tímida.
- Parece que eles cresceram…
- Ahaha, muito engraçadinho!
- Eras um bebé lindo, o que não é de estranhar.
- Obrigada…
- Realmente, a tua mãe tem aqui registados tu com imensas coroas, miss beleza – brincou.
- Eu disse-te… Vamos? – disse, querendo tira-lo dali, porque estava na ficar um pouco sem saber o que dizer.
- Vamos…



Fomos a ouvir musica, e depois paramos num café, que nos dava a paisagem das lindas praias de Miami, enquanto bebíamos um sumo.
- Então… Não me querias contar uma coisa? – disse sério, enquanto olhava para o mar. – Algo sobre estares apaixonada sobre um gajo que conheces-te ontem.
- Não é um gajo! – revirei os olhos – É um rapaz educado e cavalheiro. Não um gajo!
- Tanto faz.
- Tanto faz!? – perguntei, mas saiu como uma exclamação – Quer dizer, tu não deves estar bem a perceber! Edward, é tão perfeito!
- Edward? Não conheço nenhum Edward… Anda na nossa escola?
- É que és tonto! – gargalhei com a brincadeira de Ryan – Isso queria eu, que ele andasse na nossa escola! Quer dizer, de nada adiantaria, já que ele é completamente apaixonada pela namorada…
- Tenho certeza que vais resolver esse inconveniente?
- Hã? – não estava a perceber nada do que Ryan queria dizer. Parecia que ele estava a falar daquelas coisas da politica, onde eu simplesmente me limitava a ouvir.
- O que quero dizer, é que, tenho certeza que ele pode muito bem deixar a namorada se tu te empenhares em seduzi-lo… - falava, ainda a olhar para o oceano.
- Ryan? – chamei baixinho – Do que é que estas a falar?
- Sentes-te incomodada em demonstrares essa tua paixão obvia a um rapaz comprometido? – olhou-me atentamente – Acho que fazes bem. Fazes muito bem…
- Ryan, bateste com a cabeça? – inclinei-me para a frente, baixando os óculos de sol, para o ver bem. Ele não estava bem, só podia, ou eu é que tinha batido com a cabeça. Porque o que ele dizia não fazia sentido. Não era do sol, já que estávamos numa esplanada, mas estávamos numa mesa á sombra.
- Não. – olhou-me confuso – Só te estava a elogiar pela tua escolha de não queres nada com esse Edward, por ele ser comprometido. Mostra maturidade, sensatez e sensibilidade da tua parte… - começou a beber o sumo de laranja enquanto eu percebi e comecei a ri, enquanto abria a minha mala e tirava de lá o livro de twiligth e mostrei-lho abanando o livro ao lado do meu rosto.
- Eu estava a falar do Edward Cullen! Twilight!
Não sei como avaliar a reacção de Ryan, porque ele estava a beber o sumo e simplesmente… Cuspiu tudo para fora. Os meus óculos escuros ficaram com pingas de sumo de laranja, e senti o sabor do sumo nos lábios, junto com a t-shirt molhada.
- Oh não! – Ryan ficou tão vermelho como eu nunca tinha visto ninguém. Todo o seu rosto ficou vermelho, e pescoço. Enquanto ele se levantou rápido e atrapalhado aproximou-se de mim, com toda a gente a olhar para nós. – Caroline, eu lamento tanto… - dizia baixinho enquanto pegava em papeis e me entregava para limpar o rosto, e me tirava os óculos de sol.
Eu lancei a cabeça para trás e comecei a gargalhar que nem uma deficiente mental. Mas aquilo tinha tanta piada. Porque ver a cara dele, antes, durante, e depois de me ter molhado foi a coisa mais engraçada do mundo. E eu não percebo como ele não se ria, porque imagino que a minha cara ao receber o sumo no rosto tinha sido tão engraçado. Ele ajoelhou-se ao meu lado e começou a acompanhar-me nas risadas, e toda a gente na esplanada começou a gargalhar também.
- Isso significa que não estás chateada comigo? – perguntou hesitante enquanto depois das gargalhadas limpava o meu rosto, quando insistiu para ser ele a fazer isso.
- Não. Está tudo bem, foi muito engraçado. Dói-me a barriga e o maxilar de tanto rir!
- Sinto-me um imbecil por fazer estas figuras! – lamentou-se enquanto limpou os meus óculos de sol – A tua t-shirt branca vai ficar manchada…
- Sem problema. – sorri e tirei a camisola. Ryan corou e desviou o olhar. – Estamos numa esplanada na praia, Ryan. – revirei os olhos apontado para as pessoas. A maioria estava na esplanada de biquíni e eu estava de shorts curtos de ganga, chinelos do dedo, e agora com a parte de cima do biquíni simples e preto. – Não sejas pudico!
- Olhem só quem veio até á praia! – gelei quando ouvi o riso em forma de porco, e o olhar gelado de Ryan subia para o dono dela, rodeado do meu antigo grupo.


Então? Que tal, gostaram? o.O
Comentem, que eu já tenho assim muitas saudades de ler coments e responder :D


Não sei vocês, mas eu tinha mesmo saudades disto por aqui! xD
Ah, o próximo capitulo que irei postarei, vocês querem de “Quase sem Querer”, ou “Profanação”? Qual preferem?
Lá para segunda está bom para postar?
Beijinhos grandes! :*
E já sabem… Comentem! xD

Back...



Olá meus anjos!!



Desculpem o desaparecimento, mas enfim era final de ano, épocas de exames e para quem anda no 12 ano, exames nacionais são aquela coisa, já que são provas de ingresso na faculdade… E a época de exames só terminou ontem. :/

Além disso, a minha net horrível estava… bem, horrível de novo… mas no fim do mês passado (ontem) terminou a minha fidelização e agora tenho outro tarifário! Nananananah! :)



Enfim, agora de férias terei mais tempo não só para o este meu blog, como para o outro e poder acompanhar melhor os vossos!!
Além disso, isto por aqui tem de ter uma mudança de visual, já me está a cançar isto xD


E as vossas ferias, já começaram também?



P.S-> Ainda hoje trago dois capitulos inteirinhos para vocês! :D

Desculpem, mais uma vez, não ter andado a actualizar o blog, mas eu compenso!!

Beijinhos grandes! :*

quinta-feira, 5 de maio de 2011

NOVIDADE! :)

NOVIDADE!

Tenho um novo blog, passem por lá e digam o que acharam ;)


http://boanoitecinderela.blogs.sapo.pt


^E sigam se poderem! :*

Bjs :*

terça-feira, 3 de maio de 2011

12º Capítulo - Segredos

Por questões de saúde, fiquei ausente este tempo.
Desculpem pelo incomodo.
Tentei escrever um pouco, só para não deixar o blog sem post por mais de um mês.
Mas escrever agora, não é um coisa que consiga. Tenho outras preocupares na cabeça, no momento. Primeiro vem a saúde, acho que todos percebem isso.
Espero que compreendam.

Este capitulo vai para a Emily! – Obrigada pelas dicas das musicas, no teu ultimo comentário! Eu simplesmente adorei, e tens razão. Eu adoro esse género :)

Divirtam-se todos!

P.S-> Pelo que me apercebi, a Flavia Mendes é leitora nova! Fico feliz que tenhas gostado, és muito bem vinda :) (Profanação é a continuação de Amor e Sangue á Meia-Noite)


12º Capítulo - Segredos



Enquanto via o filme, sentada no sofá do meu apartamento, não podia deixar de pensar no militar. O filme era sobre guerra, o protagonista era um militar que nunca chegaria a voltar para casa, para a sua mulher grávida.
Eu tinha uma divida com um militar. Suspirei. E se ele fosse em alguma missão, antes de eu poder retribuir o que fez por mim? Como poderia pedir-lhe perdão? Quando de certa forma o enganei e tirei vantagem dele? Ele apaixonara-se por mim, dera-me tudo o que tinha. As economias dele, pelas quais trabalhou desde muito cedo, para pagar pelos documentos falsos e uma viagem para Itália. Colocou-se em risco a arranjar documentos falsos, para me fazer sair do país dele. Arranjou um lugar para eu ficar, na qual eu nunca cheguei a aparecer.
O que ele pensaria de mim? Como teria ficado ao saber que não aparecera na casa combinada, o que pensaria quando percebesse que eu não queria ficar com ele como ele queria ficar comigo?
Ele amara-me. Talvez iludido pela minha embalagem, não sei. Deslumbrou-se e apaixonara-se, chegando ao ponto de colocar tudo em risco, para ficar com aquela que ele pensara ser uma rapariga que tinha sido desviada para redes de prostituição e que a camionista amiga da família tinha-me ajudado na fuga.
Apesar das barreiras linguísticas, ele percebera que sofria. Só se equivocara no motivo. Ele ia desistir de tudo, fugir e morar comigo em Itália, onde tinha uns amigos que nos ajudaria no principio, a tal morada que me dera, falando com um dicionário na mão a tentar explicar que ia ter comigo quando juntasse novamente dinheiro para outra passagem de avião.
Suspirei.
Ele acreditava que eu era uma boa pessoa. Uma espécie de anjo, ou algo assim. Euriko, também pensara nos primeiros minutos. E eu matara-o para me alimentar, deixando uma menina órfã, com a sua madrinha. Provavelmente traumatizando-a quando ligasse tudo ao pensar que viajou na carrinha com a assassina do seu pai. O facto de ter deixado a criança viva, não minimizava o que fiz.
E eu podia não ter morto o militar, mas aquele ar juvenil e divertido, dificilmente ia ser o mesmo quando descobrisse que o anjo que descobrira existir, era na verdade, uma impostora.
Eu odiava aquilo que acabara por me tornar. Não especialmente o facto de ser uma vampira, mas sim aquilo que eu fazia por o ser.
Não importa aquilo que somos, mas as nossas acções. A forma como lidamos com as coisas.
Senti o cheiro de Alexander. Ele devia estar quase a entrar no apartamento. Eu não conseguia sentir o cheiro muito mais longe que isso.
Ele entrou, tirou a casaca. Tinha ido caçar.
- Que se passa? – perguntou assim que viu o meu olhar, não se deixando enganar pelo sorriso de boas vindas que pairava nos meus lábios. – Pensei que já tínhamos superado o facto de eu caçar. Mesmo quando ainda eras humana.
- E superei. São escolhas tua.
- Então, conta-me o que se passa. – sentou-se no sofá e puxou-me para seu abraço. O problema era que eu não queria ser abraçada. Não agora. Quando pensava em tudo de mal que fizera, e o dono dos braços que me seguravam, era uma das vitimas também.
Desenvencilhei-me do abraço.
- Conta-me. – exigiu.
- Lá estás tu com a mania de dar ordens! – exasperei-me – Não posso ficar sossegada com os meus pensamentos, pelo menos uma vez? – levantei-me do sofá e passei a mão pelos cabelos nervosa. Uma mania que sem querer, apanhara dele. – Alexander, existe coisas que todos guardamos em segredo. Até tu guardas coisas de mim. Existe coisas que as pessoas não gostam de falar.
- Eu quero saber tudo. – disse calmo, mas fitando-me atentamente – Conta-me a razão por estares com esse olhar de remorso.
Ri-me secamente.
- És inacreditável, sabias? – fui ao quando, abri o armário e tirei um casaco. Não por ter frio, mas porque nas ruas as pessoas acharia estranho estar de camisola de alças quando soprava um vento frio.
Quando voltei para a sala, a vestir o casaco, ele fitava-me atentamente.
- Não és o único a saber-me ler. Eu sei fazer o mesmo contigo. – peguei nas chaves – Pensas que estou com um olhar de remorso, como disse-te, porque achas que vou fazer algo contra ti. Ou já o fiz. Com a estúpida desconfiança. – voltei a rir-me secamente – Desculpa desapontar-te, mas nem tu se resume a ti.
- Onde vais?
- Não importa. Não sei. E – antes de abrir fechar a porta, avisei-o – não me sigas. Estarei atenta a isso.
Quando sai do prédio, senti os olhos de Alexander em mim, através da janela. Coloquei o capuz do casaco, e caminhei. O vento frio no rosto era agradável.
Gostava de Londres. Mas não era a minha casa.
Não podia deixar de pensar, que eu não tinha um lugar a quem chamar casa. Só Alexander, os seus braços, ele era o lugar onde pertencia. Encontrava conforto nele, mas a verdade é que eu não tinha um lugar físico, uma casa, um ponto de referencia.
E Alexander tinha vergonha de mim.
Era inacreditável, como á alguns anos atrás, eu vivia perfeitamente feliz e irreverente na villa, com o meu pai e o meu irmão.
Sorri, pensando em como estaria o meu irmão. Cabeça oca.
A minha realidade nunca mais seria essa. Ás vezes sentia-me como se tudo fosse um castigo, não sei.
Talvez fosse uma moeda de troca. Entregar tudo, tudo em troca do amor. Alexander.
Agora quando já crescera mais, especialmente por ter de passar por todas as etapas que passei sozinha, percebia que não se pode ter tudo.
Costuma dizer que deixaria Alez, e seguiria a minha vida depois. Uma total mentira, agora eu sabia que seria impossível. Eu era para ser dele. Desde o inicio.
Talvez as coisas pudessem ter sido mais suaves, comigo a optar realmente por isso, e não ter sido forçada, a tudo ser arrancado de mim.
Mas NADA se comparava com a dor, que perceber que amava Alexander e ele já não estava lá. Nada.
Eu hoje amava mais Alexander, do que em humana. Era impossível de descrever o que um vampiro sente. Mil coisas ao mesmo tempo. Mil pensamentos.
E no meu caso, mil arrependimentos.

Sentei-me num banco de jardim, observando as pessoas que passavam. Observando rostos, mas pensando em outros rostos. Vitimas anónimas, Euriko morto. Outras espécie de vitimas. Rachel sozinha, o militar roubado, Michael, o meu pai. A minha melhor amiga.
Todos eles estavam mortos para mim.
Quando percebi que já eram 4 horas da tarde levantei-me para voltar para o apartamento. Afinal, estava ali desde as 11 da manha. Alexander devia estar a passar-se, ou não. Podia estar a observar-me, já que não estivera atenta ou não se ele me seguiria.
Mas ele tinha ficado no apartamento. Vi-o na janela antes de entrar no prédio e subir as escada. Abri a porta, e ouvi logo a pergunta que já esperava:
- Ode raios estiveste?
-Calma. Não estive a fazer nada de mal. Só pensar.
- Em quê? Eu quero saber.
- Também quero muitas coisas. E não as tenho. – eu já nem me chateava (muito) com estas típicas atitudes dele. Ele era rei, estava habituado a mandar. Era parte da personalidade dele. O que não significava que eu tinha de obedecer, claro.
- É só pedires-me o que queres, eu dou-te. – senti antes de ver. Ele abraçou-me forte – Não gosto nada de não saber onde andas.
- O que eu quero não me podes dar. Consciência tranquila é uma coisa que não se pode oferecer. – recebi o beijo dele, apreciando o sabor dos seus lábios. Adorando a forma como as suas mãos corriam pelas minhas costas e braços.



Bebia o sangue de uma bolsa no sofá, com Alex ao meu lado, e víamos um programa qualquer onde passavam vídeos engraçados.
- Nikka, conta-me os segredos de que falavas que tinhas. – suspirei e tive que soltar o riso.
- És inacreditável. A ideia de não saberes as coisas, esteve até agora na tua mente, não foi?
- Sim. – revirei os olhos – Não quero que tenhas segredos para mim.
- Alexander, toda a gente tem segredos. Sejam acções, pensamentos, sentimentos, ideias, preocupações, algo que não contam para ninguém.
- Mas, eu não quero que tenhamos segredos um do outro. Não mais!
- Tu contas-me tudo?
- Sim! Tudo o que acho relevante. Tudo o que é importante. Para mim, e para ti.
- Não mintas. – acusei-o – Não me contas tudo! Tem mais de 5500 anos, não pode haver ninguém que tenha mais segredos que tu. Deixa-me com os meus. Tu não queres saber.
- Mas, tudo o que é importante para ti, é importante para mim. Por favor, conta-me.
Fechei os olhos e suspirei. Abri os olhos fitei-o.
-Conta-me porque tens vergonha de mim. – rematei.
- Não tenho vergonha de ti! – respondeu ofendido.
- Certo.
- Que ideia é esse? Estás louca?
- Tu não queres que ninguém saiba que estás comigo. Que mesmo eu ter-te traído tu estas aqui. Não me levas ao castelo quando vais lá. Portanto, isso és tu a ter vergonha de mim.
- Não digas isso. – puxou o meu queixo para cima, para poder ver o meu rosto – Nunca que teria vergonha de ti. Isto sou eu a proteger-te. A tomar conta de ti. Eu sei como vai ser para ti, vais sentir-te incomoda, com os olhares. E por mais que eu obrigue que ninguém fale no tema, tu vais sentir-te deslocada. É por ti, nunca por ter vergonha de ti.
- Estas a dizer a verdade? – engoli em seco. Aquilo era uma coisa que sempre me remoía.
- Claro. – sorriu – Como podia ter vergonha da minha beleza particular?
Sorri.
- Nikka, eu quero que me digas o que vai no teu coração. Estou preocupado. Por favor.
- Eu só estava a pensar no que me tornei. No que me deixei ser. No porque de não ter parado. O que fiz, até voltarmos a estar juntos. Eu sou má. Sempre me vi como uma boa pessoa, com um bom coração. Sem atitudes com maldade ou segundas intenções. E tudo o que era, eu perdi. Eu não quero ser má, ser rancorosa, manipuladora. Eu manipulei, eu menti, eu enganei sem pensar duas vezes. A minha crueldade fez vitimas. Como posso viver comigo mesma?
- Nikka, por favor não comeces a ter esses pensamentos. És uma vampira, não podes querer comportar-te como uma humana. É uma nova etapa para ti.
- Mas, o facto de ser uma vampira não é desculpa. As nossas acções é que importam. E para mim, o facto de fazer tudo o que fiz, não me deixa ter paz. Como fiquei assim? Porque não parei? – respirei fundo – Eu matei, roubei, enganei, manipulei, fingi. Não sei onde parou a Nikka de antes. Eu quero-a de volta. – avoz começou a ficar fraca, com o choro preso.
- Eu queria que nunca tivesses ido na conversa daquele clã nojento, quando te abordaram antes mesmo de ir para a tua villa…
- Eu já disse que não foi isso, porra! – gritei, mas respirei fundo. Ele não iria acreditar. Não agora. – Não estávamos a falar sobre isso. O que eu queria dizer, é que de repente vime a ser algo totalmente diferente do que era.
- Continuas a ser a mesma.
- Não. Não porque eu não era maldosa e sem escrúpulos. Eu matei, e gostei. E o que mais me custa, foi que eu enganei quem me ajudava.
- Não vamos falar disso agora. – ele pensou que estava a falar dele.
- Não estou a falar de ti, no momento.
- De quem? – os seus dedos acariciaram a minha nuca – Acho que está na hora de me contares um pouco do que te aconteceu, enquanto estávamos separados. Foges sempre á pergunta, todas as vezes que te questiono sobre isso. Conta-me, nem que seja só um pouco.
- Uma noite, eu sai da floresta. Uma floresta na Roménia onde me tinha escondido depois de ter feito um dos meus muitos actos repulsivos. Uma camionista ajudou-me a sair do país. Ela pensou que era uma rapariga que tinha sido feita refém numa rede de prostituição de menores. – fechei os olhos, e deixei-me ficar a sentir o seu carinho calmante no meu pescoço – Ela levou-me para uma família que conhecia perto da fronteira da Roménia com a Ucrânia. Fui muito bem tratada, parte da família, mesmo tendo a barreira linguística. A vida naquela zona da Ucrânia era calma, fácil. Nas noites eu fugia para me alimentar, assim durante o dia, era fácil viver com eles. Eram tão boas pessoas, um pouco pobres, mas muito divertidos. Mesmo não percebendo o que diziam as suas piadas, as gargalhadas eram contagiosas. Lá, morava um jovem militar. – os dedos de Alexander pararam o carinho por uns segundos, e depois voltaram – Eu gostei dele. Ele era simpático comigo, fazia-me rir o tempo todo, chegou a empurrar-me no baloiço. Dava-me a mão quando estava triste e com o pensamento ausente. Falava calmamente, e o tom suave nas palavras ilegíveis para mim, tinha um efeito apaziguador.
- Aconteceu alguma coisa entre vocês? Tu disseste que não tinhas tido nenhum outro homem além de mim. – as palavras deles saíram arrastadas, como se o estivesse a trair de novo.
- Não. Não tive contacto físico com ele. Eu estava quebrada. E ele sabia isso, nem tentou algo mais. Só uma vez tentou-me beijar e ao ver a minha reacção, nunca mais o fez. Ele tentou arranjar-me, curar-me, fazer-me de novo inteira. Mas sempre sentia que eu ficava reservada no meu canto. Um dia, ele deu-me uns documentos falsos, e uma viagem para Itália. Aquilo custou todo o dinheiro que tinha. Pelo qual trabalhou toda a sua vida. Ele deu-me uma morada, para onde eu devia ter ido em Itália, e ele quando conseguisse juntar dinheiro para uma nova viagem, viria ter comigo. E juntos, iríamos começar de novo, construir uma vida. Eu nunca tive a pretensão de ir para a tal morada, e mesmo assim, peguei o dinheiro. Eu nunca lhe pedi nada, mas talvez mesmo sem querer, o manipulei. Ele estava apaixonado por mim, e eu fi-lo sofrer.
Silencio.
- Alex, os meus actos foram todos nojentos, mas este foi mais vil e repulsivo do que posso explicar. Eu via o amor nos olhos dele, e no fim, tomei foi uma decisão egoísta. Eu poderia ter arranjado dinheiro de outras formas, poderia ter roubado a ricos como fiz mais tarde em Itália, ou outra coisa qualquer. Mas, eu brinquei com sentimentos de outros. E no fim, ele não me corou, eu é que o deixei quebrado. – quando dei por mim, lágrimas escorriam pelo meu rosto. – Um dia, eu vou devolver-lhe o dinheiro, e pedirei desculpas, mesmo se ele nem a família me poderem desculpar. Sinto tanta vergonha do que fiz!
- Oh pequenina… Eu nunca devia ter-te deixado sozinha… Mas, não podia ter feito outra coisa.
- Eu percebo. O que te fiz, foi o pior dos meus pecados. E o resto, foi tudo consequência da minha maldade contigo. O remorso que sinto, todo o meu arrependimento sobre tudo o que fiz, não é nada comparado com a dor que sinto ao pensar na dor que te infligi. Nunca poderei dizer, o quanto lamento. Eu só, não estava em mim. Não é desculpa, mas eu não sabia quem eu era. Agora sei. Sei o que quero, e sei que o que ficou para trás não voltarei a repetir os mesmos erros. Acho que… cresci.
- Meu amor… - abraço-me e embalou-me no seu colo – Vamos com calma, com as revelações. Para a próxima, eu relato os meus pecados. De vagar, vamos voltar a ser o que éramos. Juntos vamos apagar as coisas más. Os pesadelos.
- Espero que sim. – levantei o rosto pedindo-lhe um beijo.
- Amanha, vamos juntos para o castelo. Eu nunca tive vergonha de ti. – beijou-me – não quero que te sintas mal lá, acho que só poderemos começar, onde tudo terminou. – beijou-me de novo.

Então, gostaram?:)
O capitulo anterior de Profanação, já foi á algum tempo, portanto espero que este tenha matado um pouco as saudades, que tanta gente me fala sobre isso ;)
E tenho de dizer, que surpresas vão acontecer no próximo capitulo. Coincidências, ou não.
Estejam atentos, porque a Nikka vai ser surpreendida. E vai esconder um segredo que Alain sabe, ao Alex. Até ele estar pronto para o ouvir.
Comentem, por favor :*

terça-feira, 29 de março de 2011

365 Dias!

Alguém se lembra de que dia é hoje?!

Faz exactamente um ano, que criei o blog… O Blog está de Parabéns hoje! =D

Um ano em que postei pela primeira vez! Comecei por apresentar “Amor & Sangue À Meia-Noite”,e depois seguiram-se outros projectos.

Conheci pessoas fabulosas, amigas daquelas que são únicas… Só posso agradecer por estes 365 dias!


Obrigada por participarem do Blog da AR!

Obrigada por alegrarem os meus dias, pelos bons momentos e tornar tudo por aqui tão mais divertido!

Espero que no próximo dia 30 de Março, estejamos todos por cá ainda, a divertir e passar bons momentos!

terça-feira, 22 de março de 2011

2º Capitulo

*Eu a entrar de mansinho e disfarçadamente*

Ai, ai que eu até estou com medo de aparecer por aqui…. O.O
Depois de quatro semanas sem postar, estou a habilitar-me a levar dois tiros na cabeça.
Quer dizer, eu não tenho muita vontade de aparecer ai numa sarjeta deserta assassinada brutalmente nem nada do género… Mas percebo que a vontade de me matar já passou pela cabeça de vocês, admitam lá! =P

Mas bem, as coisas não andaram fáceis por estes lados, desde escola a saúde, problemas (e honestamente muita preguiça). Enfim eu fui deixando para postar amanha, e amanha até que tive mesmo de postar quando vi a data da ultima pastagem. :O E além disso, estava com mesmo saudades disto por aqui, de ler os comentários maravilhosos e de responder, essas coisas todas.

Trago um capitulo de Quase sem Querer ( eu sei que já tinha esta história quase concluída e que podia ter postado logo, mas é que eu acabei por decidir acrescentar pelo menos mais um capitulo á história, porque já estava com a sensação que tudo passava numa correria. Então tive que escrever este capitulo, e estava difícil porque estava sem cabeça para escrever sinceramente.)

Bem, espero que gostem (e que não atirem em mim pois entendem que ás vezes por estes lados tudo corre mal como a toda a gente)

O Capitulo vai para a M Moon que é uma querida e que quase me mata por demorar a postar esta história! *medo de ti M Moon* Desculpa querida, espero que a espera tenha valido a pena. ;)
Vai também para a Verita-17. Obrigada pela preocupação querida! Beijinhos =)

Boa Leitura



3 semanas depois.

Resmungando tacteei com a mão até encontrar o despertador e o fazer calar. Arrepiei-me quando vi que eram 6 e 30 da manha. Infelizmente tive que me levantar, pois o parvalhão de Ryan estaria aqui exactamente ás 7 horas em ponto, e só esperaria até as 7:04 e depois iria para a escola. Ou eu estava pronta a essa hora ou ia a pé. Ele realmente não esperaria.
As 4 vezes que me atrasei, as 4 fui a pé. Muito sinceramente ele até me fazia o favor de me dar boleia até o colégio, se não ia a pé a ouvir camionistas pervertidos. A culpa era da minha mãe, já que ele não me devolvera o carro.
Enquanto tomava um duche rápido lembrei-me dos bons velhos tempos, onde acordava ás 7:45 e só sai de casa ás 8:20, quando as aulas começavam ás 8:30. Chegava sempre atrasada, mas bem… Os professores já nem ligavam. Agora não, a porcaria das aulas começavam ás 8 e 30, e eu sai de casa ás 7 horas! Fanático imbecil do Ryan!
Quando me sentei á mesa pronta para atacar o meu pequeno almoço, ouso uma buzina. Olhei o relógio. 7 horas em ponto.
- Foda-se!
- Olha a língua, Caroline! – a minha mãe, entrava já com a reprovação no olhar.
- Bom dia, mãe. – revirei os olhos, enquanto pegava uma maça – tenho de ir. – beijei o seu rosto enquanto ela deitava sumo no seu copo.
- Esse rapaz faz-te muito bem… - sorriu.
- Sem dúvida! – ironizei, embora ela não tenha notado.
Entrei no carro de Rayn sentando-me bruscamente e bati a porta com força, apesar de saber que ele nem se importava se destruía o carro dele ou não. Se alguém entrasse assim no meu carro e batesse a porta com força eu simplesmente enlouquecia.
- Bom dia, amor. – ironizou – O meu beijo?
Simplesmente o olhei.
- Sem beijo? Que pena.
- Penas têm as galinhas! – gargalhei alto. O filha da mãe sempre que eu dizia isso de penas, ele respondia altivamente “penas têm as galinhas” – Parolo! – É para nunca mais me chamares parola também, seu cretino desgraçado! Pensei vitoriosa.
Ele corou até á raiz dos cabelos talvez de fúria e vergonha por ter caído na sua própria armadilha. Conduziu até o colégio sem falar e tenso. Apostaria que para ele, ser corrigido (especialmente por mim) devia ser “doloroso”. Como para mim era fantástico.
Como sempre, éramos os únicos alunos ás 7:30 na escola, além dos funcionários. Fomos para a biblioteca (que se eu antes não gostava agora passava a odiar por iguala-la a uma prisão). Mas a verdade é que a prisão já mudara algumas coisas no rendimento escolar. Passara de um 6 a Filosofia para um 10. O que para mim, era sem duvida uma grande coisa.
Ryan entregou-me umas folhas dizendo para estudar por ali para o teste de Ingles que seria já na sexta feira.
- Eu prefiro estudar pelos livros… - Ryan disponibilizou na sexta-feira os seus resumos do 11 ano para eu estudar no fim de semana. No principio achei uma óptima ideia porque ele era super inteligente e nada melhor do que os resumos dele. Rápido mudei de ideias, porque aquilo era elegível. Não pela letra, porque sinceramente era tão precisa que chegava a ser irritante. O problema é que eu no fim de um paragrafo desisti, por diversas razões. Palavras que não sabia o significado, menções de pessoas que nunca ouvira falar, frases tão complexas que mesmo depois de ler 5 vezes não percebia que treta ele queria dizer com aquilo. Além de ter muita mais matéria que qualquer manual escolar. Então, no sábado quando ele me mandou uma mensagem a perguntar se estava a ajudar os resumos eu fui sincera e disse que não conseguia entender e que também não teria de saber tanta matéria além de ser impossível decorar aquilo tudo.
– Pelos manuais não vais lá. – reparei que ele ficara um pouco ofendido por estar a recusar – Lê, acho que estes são melhores para te ajudar nos estudos que os anteriores…
Então quando comecei a ver os resumos, foi como se tivesse levado um murro bem no estômago.
Ali estavam resumos completamente diferentes que os anteriores. Mais pequenos, com frases simples e palavras que facilmente percebia. Alias, tinha ali curiosidades sobre estilistas que se baseavam em poetas para criar algumas colecções para eventos especiais que eu sempre acompanhava pelas revistas e pela tv sem nunca ligar á poesia.
E ele tinha feito aquilo para mim, provavelmente ocupou-lhe um dia inteiro pois ele faria muito mais facilmente resumos para ele do que ter de pensar na forma mais fácil de eu entender e tentar prender-me ao estudo de forma a não achar aquilo uma “grande seca” como sempre reclamava. Ele pesquisara sobre moda, a ver se encontrava alguma ligação que me interessasse.
Senti-me muito parva por sempre lhe responder bruscamente e com ironia, e ele apesar de retribuir as farpadas verbais, ocupava o seu tempo a tentar ajudar-me.
- Sabes… - eu não sabia o que dizer – não tinhas de fazer isto…
- Não custou nada. - Deu de ombros desvalorizando o acto.
- Foi sim. – tive de admitir – Ninguém se daria a esse trabalho por mim, nem mesmo a minha mãe.
- Espero que ajude. – ele falava enquanto os seus olhos focavam o seu caderno, e resolvia um exercício de matemática.
- Obrigada. – agradeci ainda sentindo-me estranha e sem saber o que dizer pelo seu gesto.
Depois de ele resolver o seu exercício, reparei que passava como sempre a tratar de assuntos da associação de estudantes, enquanto levantava os olhos algumas vezes ara ver se o que eu fazia estava correcto. Obvio que muitas vezes corrigia.



- Estou cansada! – deitei-me na mesa, como se estivesse quase a morrer.
- Caroline, estamos apenas a estudar á meia hora.
- Meia hora? – olhei o meu relógio – Então, ainda falta mais meia… - choraminguei.
- Concentra-te.
- Podíamos fazer uma pausa, já estamos nisto á três semanas, eu até já recuperei a Filosofia e tudo…
- Não deves parar o ritmo só por isso – ele ia acrescentar alguma coisa quando eu dei um grito abafado.
- As minhas unhas! – reparei que estavam sem verniz, totalmente ruídas até pele tirara! Sem querer foquei um armário e vi o meu reflexo. Outro grito.
Levantei-me rápido e nem queria acreditar quando cheguei mais perto do armário e me vi reflectida lá. O meu cabelo estava sem nenhum acessório pequeno como sempre utilizava, estava despenteado. Não tinha batom nos lábios.
- Que foi? – Ryan chegou perto de mim preocupado.
- QUE FOI? OLHA SÓ PARA MIM! Meu Deus fiquei uma desleixada, os sapatos nem combinam com nada que vesti hoje! Tudo porque não me dás tempo para nada além de estudar! Nem coloquei batom! AI, AI! AIII – Comecei a abanar as mãos loucamente, num ataque de histeria – Ai meu deus, pegaste-me a miopia! Estou a ver tudo embaciado! MEU DEUS!
Ele agarrou-me os braços e passando-se gritou “ Controla-te”.
Tentei respirar fundo.
- Filha da mãe, Caroline a porcaria da miopia não se pega! Estás a ver mal, pelas lágrimas sua cabeça oca! - respirou fundo – E como só ligas á imagem?! Que fútil! – voltou a sentar-se, passou a mão nos cabelos e voltou a se concentrar no que estava a fazer antes da minha cena.
Eu fiquei uns minutos sem me mexer e sentei-me sem saber o que dizer.
- Ok, aquilo da miopia foi imbecil… - sussurrei envergonhada.
- E todo o resto, também. – nem se dignou a erguer os olhos, fazendo-me sentir cada vez pior. O “fútil” sempre a bater na minha mente. – Sinceramente, quando penso que não podes piorar, inacreditavelmente tu pioras. Bem, sempre a aprender.
- É só que… - eu nem sabia porque estava a tentar justificar-me. O que ele pensava não me interessava. Não me interessava nada. Eu só queria, sei lá, que não pensasse que era só fútil… – Eu… Desculpa o histerismo… Mas não é a primeira cena que me vês fazer.
- Não é, realmente. Mas irritas ás vezes. Especialmente com isso das futilidades. – Talvez fosse uma indirecta de quando eu fazia piada da sua roupa que apesar de ser cara, era estranha. – Prestes a chumbar o ano, e preocupas-te se não passa-te batom? Francamente. – Ele nem me olhava para falar, como se nem valesse a pena.
Engoli em seco. Não ia chorar por aquilo.
- Sempre fui assim. – tentei justificar – Sempre gostei de roupas e essas coisas. – disse voltando a sentar-me no meu lugar.
- Não é esse o problema. Se não fosse a única coisa que pensas. Só sabes pensar que batom vais usar, que roupa fica melhor…
- A beleza é a única coisa que tenho que valha a pena… - sussurrei muito baixinho.
Os seus olhos ergueram-se e atentamente focaram os meus. Não podia deixar de achar que os seus olhos eram lindos todas as vezes que ele me olhava nos olhos. Atrás daqueles óculos, existia uns lindos olhos verdes musgo.
- Caroline, a beleza não é tudo. Pelo menos, não para as pessoas que realmente importam e valem a pena.
- Eu sei… - desviei os olhos antes de ele ver que quase chorara com as palavras dele. – É que, eu realmente não tenho mais nada para oferecer. – aquela foi a primeira vez que expressei aqueles pensamentos – Ser bonita é a única coisa que sei fazer, a única coisa que sou realmente boa. E a única coisa que interessa aos outros.
- Estás errada. – disse gentilmente – Nunca ouviste a celebre frase “ a beleza está nos olhos de quem a vê”?
Assenti.
- Além disso, já ninguém avalia um livro pela capa.
- O problema é esse. Eu só tenho a capa. – suspirei – Não quero continuar a conversa. – comecei a ler os resumos novamente, escondendo-me atrás dos meus cabelos.
Em silêncio, Ryan voltou a focar a sua atenção nos seus papeis.
- Se queres mesmo saber, eu prefiro quando não usas batom. A cor dos teus lábios é muito mais bonita sem ele. – corei mas não levantei o rosto.
- Hum… Obrigada. Eu acho.

Na cantina, como sempre, sentei-me na mesa com Ryan. Ficávamos só os dois, ou algum outro nerd vinha até lá. Desde que começamos a dar beijinhos em publico (eram só um colar rápido de lábios quando estritamente necessário, para não desconfiarem) tanto o grupo dele o recriminava como o meu me recriminava. Além disso, o meu grupo quase não me falava.
Mexia na comida, até que Ryan perguntou se estava tudo bem.
- Sim, só me estou a lembrar do que a Alice me disse.
- Aquela loira oxigenada com implantes mamários maiores que o da Pamela Anderson? – soltei um risinho – O que quer que ela tenha dito, foi merda. – Já nem me surpreendia mais quando Ryan soltava “palavrões” ocasionalmente.
- Ela disse que eu era uma puta traidora… Por de um dia para o outro ter deixado o Chris porque me tinha apaixonado por ti. – revirei os olhos ao me lembrar do “ Toma uma aspirina para a dor de corno” que Ryan tinha dito ao Chris quando ele viera acusar-nos. Ainda mais quando o meu namoro com o Chris não passava de uma fachada. Se bem que eu também odiaria se ele me fizesse o mesmo, a vergonha de ser trocado por alguém que ele tanto desprezava devia roer aquele cérebro ainda mais minúsculo que o meu.
- Tenho certeza que lhe respondeste á altura.
- Sim – ri um pouco – Disse que não era mais que ela, quando tinha sexo com o namorado da irmã.
A conversa acabou por ali, porque vieram uns amigos nerd’s dele e ficaram a falar de coisas que nem valia a pena tentar acompanhar.

(…)



Já tinha acabado a “primeira rodada de testes”, como eu chamava. E inacreditavelmente, só tinha duas negativas. Claro que isso também tinha muito a ver, com o facto de que os professores admiravam tanto Ryan que falavam com ele sobre mim. Ryan dizia que me estava a esforçar e tal, e os prof’s iam-me dando o beneficio da duvida.
Se os professores adoravam Ryan, eles não gostavam de mim. Achavam um desperdício um rapaz inteligente como ele ficar com uma rapariga tão fútil. Da mesma forma como também ouvíamos bocas de como eu namorava com um nerd.
Aquilo não incomodava Ryan, mas a mim começava a incomodar bastante. Especialmente ficou-me entalado na garganta quando ouvi hoje de manha um amigo dele lhe dizer “Ela é tão burra! Mas, meu, para foder não precisas de inteligência”.
Então na cantina quando vi esse mesmo amigo, corei até as raízes do meu cabelo preto e baixei o rosto subitamente enjoada. Aquele devia ser o pensamento de todos.
Quando ele se afastou, soltei a respiração que tinha prendido pelo desconforto.
- Que se passa?
- Nada. – respondi-lhe fingindo não perceber a pergunta.
Ele suspirou e encarou-me sério.
- Ouviste o que ele disse hoje de manha, não foi? – não respondi – Pensei que como estavas a ouvir musica e como ele falou baixo não ouvisses.
- Estava a mudar de faixa na altura.
- Caroline, eu lamento que tenhas ouvido aquilo.
- Sim? – enruguei a testa ironicamente – Não pareceu.
- Porque não queria fazer ali uma cena e habilitar-me a que te apercebesses do que ele disse. Se bem te lembras mandei-o para a sala da associação que queria falar com ele. Quando fui ter com ele, juro-te que ele se desculpou.
- Hum.
- Caroline…
- Deixa lá isso. Não tens culpa do que eles pensam e vão continuar a pensar. – Olhei-o seriamente – Eu concordei em fazer esta farsa, porque tu querias provar que podias roubar a namorada ao capitão – tinham sido palavras dele – e eu porque precisava de explicações. Tudo bem por aí. Mas espero mesmo, Ryan, mesmo, que tu não leves isto a sério de mais e te ponhas por aí a inventar coisas sobre como me comeste aqui e ali.
Ele olhou-me ofendido.
- Alguma vez mostrei ser desse género, Caroline? – os seus olhos faiscaram de fúria e indignação – Alguma atitude minha te levou a pensar nisso? Para além de ter respeito por ti e pelas mulheres, recuso-me a descer ao nível de um miserável que se vangloria das coisas que fez e especialmente pensa que fez ou gostaria de fazer, como se isso os tornasse mais homens. E acima de tudo, tenho respeito por mim mesmo, para não fazer figuras deprimentes em balneários a inventar histórias.
Assenti sem saber muito bem o que dizer e voltei a focar o prato praticamente intocado.
- Eu só não quero passar a ser falada nesse aspecto. Não quero fama de puta.
- Nunca. – segurou a minha mão, fazendo-me prender a respiração. Ele já me tinha pegado na mão, mas desta vez uma pequena descarga electricidade latente. Reticente retirei a minha mão, e Ryan suspirou cansado.



Era Sábado, e pela primeira vez em bastante tempo, eu não tinha de estudar. Ryan tinha dito que este fim de semana podia fazer uma pausa, para recuperar baterias. E por mais estúpido que pareça não sabia o que fazer com o meu tempo livre. Definitivamente não podia ir ter com o grupo com quem sempre me divertia. Não era como se eles me dissessem para sair ou isso, mas eu já não me sentia bem vinda lá. Especialmente odiava as bocas desagradáveis e as indirectas disfarçadas pelos sorrisos falsos. Por isso estava na cama a ver tv, sem realmente ligar para o que o se passava no filme.
Hesitei e pegando no telemóvel. Escrevi rápido uma sms para Ryan.

De. Caroline
Para: Ryan

O que anda fazer o Nerd mais Nerd do mundo? =P A estudar?
Eu já estou farta de não ter nada para fazer. No inicio pensei que a folga seria boa, mas não está a ser… Seca.

Ele demorou uns minutos a responder, mais que o normalmente demorava. Pensei que não ia responder quando recebi a sms dele.

De: Ryan
Para. Caroline

Eu estou a fazer um projecto por diversão… Já que está a ser uma seca a tua tarde, podias vir até aqui… Quer dizer, eu podia ir buscar-te e podíamos estudar ou assim… Ou fazer outra coisa qualquer que gostes, não sei… É só uma ideia…

Não soube o que responder. Eu queria ir, mas… era na casa dele. E ir para casa do governador não era uma boa ideia… Além disso, não o queria incomodar e interromper o seu trabalho. Talvez ele se tenha sentido obrigado a fazer o convite ou assim…

De. Caroline
Para: Ryan

Não obrigada… Eu vou chatear a minha mãe, ou algo assim…

Mais um tempo que ele demorou a responder.

De: Ryan
Para. Caroline

Tudo bem.

Mordi os lábios com a sensação que ele tinha ficado chateado.

De: Caroline
Para: Ryan

Ficas-te chateado?
Eu só acho que é melhor não te estar a incomodar no teu projecto…

De: Ryan
Para: Caroline

Não fiquei chateado. Percebo perfeitamente. Não tens de te justificar, Caroline.

Respirei fundo e escrevi a mensagem.

De: Caroline
Para. Ryan

O convite está de pé, ainda?

Uns segundos depois recebi a resposta.

De: Ryan
Para: Caroline

Claro. Diz-me só quando posso passar aí…

De: Caroline
Para: Ryan

Quando te der jeito…

De: Ryan
Para: Caroline

Dentro de meia hora, estou aí. Tudo bem?

De: Caroline
Para. Ryan

Está óptimo para mim. Beijinhos

De. Ryan
Para: Caroline

Até já, então.

Franzi as sobrancelhas. Ele não mandara beijinhos de volta. Aquilo irritou-me um pouco. Porque ele não mandará? Quer dizer, não lhe custava nada ter escrito “beijos”. Pousei o telemóvel. Mas rapidamente me veio um pensamento á cabeça que me fez ligar logo para Ryan.
- Já não é para te ir buscar? – falou assim que atendeu.
- Não é isso… Hum, Ryan… Os teus país vão estar em casa?
Silencio.
- Não… - tossiu – Nem pensei que podias levar a mal, eles não estarem… Mas não é como se estivéssemos sozinhos, alguns empregados andam por aqui, se te sentes mais confortável com a ideia.
Eu gargalhei.
- Eu sinto-me é confortável com a ideia que os teus pais não estejam! Quer dizer, sem ofensa… Mas não me apetecia conhecer o governador, ainda mais como tua namorada e… Bom, não era o momento certo e…
- Relaxa. Já percebi. Eu também não te queria apresentar á família. – um soco no estômago. Provavelmente eu nem servia para ser apresentada como amiga. Não uma sem cérebro como eu. – Então, até já.
- Até já…
Desliguei subitamente perdendo o animo que o convite dele tinha proporcionado.
Se calhar, não era uma boa ideia no final das contas.

Bom, e aqui fica mais um capitulo! =D
Espero que estejam a gostar… O romance já começa a aparecer, embora subtilmente =D
Comentem (especialmente para eu ver que não perdi os meus leitores todos o.O) e mais uma vez desculpem esta ausência, mas é como disse, problemas afectam toda a gente...
Ey, para compensar esta semana trago no mínimo, mais um capitulo, que tal?
Beijinhos e já sabem, Comentem!
Como eu já tinha saudades de dizer isto! O.O

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

11º Capítulos - Promessas

Olá!

Capitulo nos dias dos namorados, obvio que não me podia esquecer! ;)
Espero que apreciem! =)
Para todos os que estão apaixonados!
BOA LEITURA!
11º Capítulo - Promessas



Pousei a carta em cima da mesa, e olhei Alex com os olhos a brilhar de felicidade. Ele esteve uns dias longe de mim, o que foi um verdadeiro tormento, pois não sabia se ele voltaria, apesar de me ligar pelo menos duas vezes ao dia para me acalmar. E quando finalmente regressou, entregou-me uma carta fechada, dizendo que foi ao castelo principalmente para me trazer aquela surpresa.
Era uma carta da Arianna, uma amiga que uns meses antes de conhecer Alex ela viera de ferias até a minha antiga villa, e criamos uma amizade de certa forma.
No final do verão ela partiu com os pais, mas ficamos amigas á mesma, sempre trocando e-mail’s.
- Eu lembro-me de quando me contaste que afinal ela era uma híbrida de Atlantis – sorri meio envergonhada – e eu por mais curiosa que estivesse, tinha sido transformada á apenas umas 3 semanas e fui extremamente parva contigo – fiz careta.
- Se me lembro, dizes-te “ Vai-te foder Alexander! Não fales comigo, seu filho da puta”. – dizia pensativo e depois sorriu-me brincalhão, mostrando não estar chateado com aquilo – É, acho que foi isso…
Gargalhei.
- Sabes, ela aqui está a dizer que casou com o Dominick, esse foi o rapaz que a tinha feito sofrer imenso antes de a ter conhecido e a razão de ela ter um olhar perdido, e agora foi encontra-lo lá? Quem diria! E adivinha só, o namorado dela, o Kyle de quem ela me chegou a falar, era irmão do Dominick que além de eles serem de Atlantis, são a família real de lá e isso… Fogo, que coisas!
- Admira-me não dizeres “foi o destino”… - picou.
- E foi! – ele gargalhou por me ter ofendido – Sabes – olhei-o toda deslumbrada – ela agora é super feliz! O Kyle pelo que me apercebi deu a vida pelo irmão – murmurei – Mas ela diz que agora tem dois filhos! Gémeos Alex! Oh meu deus! Um menino e uma menina, Kyle e Francesca! E aqui diz que está grávida de novo!
- Isso sem dúvida alguma será importante para Dominick.
- Tu conhece-lo? – perguntei meia confusa.
- Se te tivesses interessado pelo tema, já te teria contado – sentou-se no sofá ao meu lado e puxou-me para ele – Ele não era o rei da cidade perdida, mas sim Jared o seu pai. Mas no fundo Dominick é que governava na verdade. E ele ajudou imenso na altura em que estava contigo no hospital… - não alargou muito o tema pois era uma coisa que ainda custava um pouco a ambos – E ele ajudou na captura dos responsáveis da revolução, e do atentado que nos fizeram... Eu fui lá agradecer pessoalmente, e então a tua amiga mandou o recado… Agora pelo que sei, Dominick foi coroado Rei, pois o seu pai achou melhor já que ele era muito melhor como rei do que o próprio Jared, e casou com a Arianna tornando assim rainha. Agora, dos filhos eu não sabia.
- Nota-se que ela está radiante! Quando recebes-te esta carta? – questionei.
- Uns dois meses depois de te ter expulsado…
- Então, já foi á cerca de dois anos atrás! A esta altura os gémeos já têm quase 3 anos, e o filho que ela esperava, já nasceu e tudo! Deve er 2 anos e meio… Quer dizer, ela disse que o medico lhe pareceu suspeito pois quando ela fez piada de ser gémeos de novo, ele sorriu… Fogo, já pode ter 4 filhos! Tantos!
- Nikka, lá é uma cultura diferente dos humanos a qual estás habituada. É muito importante as crianças na família, e ainda mais na família real. Provavelmente ela ainda terá mais uns 7 ou isso – gargalhou com a minha cara de choque – E normalmente é curto o espaço de tempo entre eles, a idade fértil das mulheres de Atlantis, pelo que me apercebi, é até os 30 anos,33, por aí.
- Que estranho… Olha uma vampira a falar de coisas estranhas – ironizei.
-É verdade, trouxe-te bolsas de sangue – acariciou o meu cabelo – Eu sei que te custa caçar.
Abracei-o apertado murmurando um obrigada.
- Sabes o que eu queria? - sussurrei abraçando-o.
- O quê? – eu sabia que ele me daria.
- Ir ao cinema contigo. A ultima vez que fomos, foi na villa. E antes de eu saber que eras vampiro. Só fomos uma vez, depois compras-te uma televisão toda moderna e nunca mais fomos.
- Tu queres mesmo? – enrugou a testa. – Tem tantos humanos… - disse depreciativo.
- Quero sim. Vá lá, vamos!
Ele suspirou.
- Está bem. Mas alimenta-te antes de ires, para não te sentires incomoda. Trouxe-te bolsas suficientes para uns dois meses.
- Está bem. Vou vestir-me! – beijei os seus lábios. Ainda estava de pijama.
- Eu prefeita que não te desses ao trabalho de colocar roupas, mas…
Atirei-lhe com uma almofada do sofá.
- Só pensas nisso!
- Não é verdade…
- Conta-me histórias! Eu conheço esse olhar.
- E mesmo assim, preferes cinema! Enfim.
Não lhe liguei e fui me vestir.
Estávamos na fila e não é necessário dizer que Alex odiava estar na fila, por isso reclamava.
- Eu ter de esperar…
- E que tal dizeres que és o Rei dos vampiros, assim deixam-te passar á frente. – ironizei.
Ele resmungou.
- Qual queres ver? – perguntei olhando o painel dos filmes.
- Qualquer porcaria. Escolhe.
Suspirei.
- Vamos ver aquele – apontei para um de comedia romântica. Ignorei o murmúrio de descontentamento de Alex.
Uns rapazes passaram, e assobiaram para mim. Alex rosnou baixinho.
- Aperta a casaca.
Ignorei-o. Odiava quando me dava ordens.
- Estás a ouvir, Nikka? – olhou-me enervado – Mandei fechares a casaca!
Tirei a casaca, mostrando o meu tope preto que moldava o meu corpo. E fazendo os rapazes assobiarem mais.
Ele bufou irritado, e simplesmente olhou os rapazes, que logo se afastaram.
Eu entrelacei os dedos nos dele, e sorrindo percebi que ele olhava atentamente quem me ousava olhar.
- Se não vestires a casaca, antes de sairmos da qui, já terei matado alguem. Estou-te a avisar.
Vesti a casaca.



A experiencia no cinema não estava a ser a melhor. Tudo porque o filme era muito emotivo, e despertava a sensibilidade de todos. Eu cheguei mesmo limpara lágrimas discretamente, enquanto me abraçava a Alex.
Mas Alex não gostou nada do filme. Fazia criticas constantemente. E quando eu disse “que lindo” ele ficou mais chato. O “que lindo” referia-se a uma frase que o protagonista tinha dito, embora Alexander tenha acreditado que achei piada ao actor. Estava irritado.
- Eu não acredito que ele disse isso! – gargalhou alto Alexander desochadamente – Que imbecil.
- Alex fala baixo!
- Já se está mesmo a ver que o imbecil vai morrer. Se tem cancro terminal, tem que morrer, se não é irreal.
- Ouve lá meu, qual é a tua? – alguém a trás de nós exaltou-se e atirou com o pacote de pipocas.
O pacote acertou na cabeça de Alex que ficou completamente rígido e quieto, enquanto pipocas caiam pelos seus cabelos e ficavam coladas na roupa.
Oh não.
- Queres é levar nessa boca! – continuou o gajo levantando-se – Eu paguei para ver o filme sossegado, não para ter que ouvir um paneleiro qualquer a falar na merda do filme todo!
Oh não.
Alex delicadamente levou os dedos ao cabelo e tirou uma pipoca.
- Como disse? – A voz de Alex estava amigável.
OH NÃO!
- O que ouviste seu merdas! Calas a boca ao bem, ou ao mal!
Segurei a mão de Alex.
- Por favor… Por favor Alex. Calma.
Ele simplesmente me olhou, com os lábios rígidos e respirava pelo nariz de forma acelerada, enquanto os seus olhos brilhavam febris de raiva.
- Ouve a pequena – ouvi o barulho da cadeira a partir ao meu lado, quando o rapaz me chamou pelo “nome” exclusivo de Alexander – Antes de ela se cansar de um gajo como…
Alex levantou-se, e as pessoas resmungaram. Ele sacudiu calmamente as pipocas, e simplesmente olhou o rapaz. No escuro o humano não devia ver bem o rosto de Alex, já que cheio de arrogância se levantou apertando os punhos.
- Vais enfrentar-me é paneleirote?
- Eu simplesmente arranco o teu coração e obrigo a puta da tua namorada come-lo. – Ameaçou tranquilamente Alexander.
- Alexander, vamos embora…
-Puta o caralho! – levantou-se a loira mamuda – Puta é ela!
Oh não, eu só queria sair de lá e comecei a puxar por Alex. Ele não se movia um milímetro.
Alexander pegou no humano pelo pescoço e levantou-o, encarando-o nos olhos, e rugindo fez o rapaz começar a pedir desculpas e tentar soltar-se.
- Nunca… ninguém… me chamou… paneleiro…
- Desculpa meu! Retiro o que disse… Desculpa…
- Alexander, por favor…
- Tarde de mais para lamentações. – então, o pescoço do rapaz foi partido, e eu soltei um grito ao mesmo tempo que a loira mamuda.
Alexander puxou-me por um braço e saímos de lá, enquanto os humanos enlouqueciam.
- Era necessário teres matado o humano? – perguntei a tremer ligeiramente enquanto ele arrancava com o carro a alta velocidade
- Ninguem que me ofende, vive para contar a história.
- Alexander, tu é que começas-te! Para que tinhas de incomodar as pessoas no cinema? Ele estava no direito dele! E tu mataste-o!
- Não dou segundas oportunidades.
- Porque o matas-te, caraças?
- Do lado dele?
Mais uma discussão infernal. E no fim ninguém ganhava, ambos perdíamos.
Porque eu tive a brilhante ideia de ir ao cinema, acabando a saída na morte de um rapaz.




No dia seguinte, nem nos falávamos. O que tornava o ambiente ainda mais irritante.
Fui á sala pegar um livro que tinha deixado lá para me distrair a ler. Ele estava sentado no sofá a mudar de canais, sem mais nada para fazer. Fui para o quarto e continuei a minha leitura deitada na cama.
- Vais ficar amuada muito mais? – perguntou chateado ao entrar no quarto.
- Achas que não tenho razão? – olhei-o descrente – Alexander, porque não podias ter deixado para lá? – ele olhou-me como se fosse louca. – Esquece, já discutimos 3 horas o assunto e não consegui que pensasses direito, então é melhor esquecer.
- É sempre a mesma merda. Nunca percebes que sou um vampiro e não um santo.
- Não podias ter perdoado?
- Como também querias que te perdoasse a traição, Nikka?
- E lá vamos nos novamente! Não ficamos de deixar acalmar as coisas um pouco antes de te fazer ver a realidade? – exasperei-me.
- Se queres perdão, é melhor procurares um padre.
- Quero ler sossegada, sai por favor. – voltei os olhos para o livro.
Ele respirou fundo e sentou-se na cama. Ignorei-o. Ele acabou por se aproximar de mim, e lia o livro comigo.
- Se me amaces como dizias, terias tentado ouvir-me quando me acossaram. – sussurrei ainda a olhar para o livro. Ele respirou fundo e ignorou. Dei de ombros. Era a personalidade dele.
De um momento para o outro, Alexander tirou-me o livro das mãos e beijou-me ao mesmo tempo que me abraçava forte.
- Não estou no clima para ter sexo Alexander. – empurrei-o para o afastar de mim.
- Caso não tenhas percebido, só te estava a tentar abraçar. – sentou-se despenteando o cabelo nervosamente – Só queria estar abraçado a ti, sentir-te comigo. E nada tinha a ver com necessidade de sexo.
- Pensei que era só isso que te motivava.
- Não sou um animal que não se controla, percebes?
Ri sem humor.
- Nestes dois anos que estivemos separados, certamente não foste celibatário.
- Da mesma forma que tu. – acusou.
- Estás a queres saber com quantos tive relações depois de ti, é? – olhei-o firme.
- Não sei se quero saber. – deu de ombros desinteressado – Realmente prefiro não saber quem pós as mãos naquilo que é meu.
- Está bem. – dei de ombros – Então eu não te digo com quantos tive sexo, mas quero que me digas com quem tu tiveste. Dormis-te com a Kawit, não foi? E não me refiro a dormir mesmo. Deitaste-a na mesma cama que me amavas? – soltei aquilo que me roía por dentro á muito.
Silencio. Não era necessário dizer nada.
- Era de esperar que aquela badalhoca se aproveitasse da minha ausência. Nada de novo até aí. – Mas sentia o gosto amargo na boca, só de pensar que Alexander tivera sexo com ela. Eu sabia que antes de me conhecer, eles faziam. Mas, saber que depois de mim, depois de me conhecer e me amar, jurar-me venerar-me todos os dias da eternidade, e mesmo assim fazer com ela… ruía-me de tal maneira que eu nem sabia expressar.
- Nós tínhamos acabado.
- Eu percebo. – ironizei – Tambem percebes perfeitamente o facto de ter feito com outros, então.
Silencio.
- Ela tentou. – disse baixinho – E eu queria. Queria deixar de fechar os olhos e pensar em ti, no teu corpo, no teu cheiro.
- Belas desculpas. – sentia-me traída.
- Mas não consegui. – confessou enquanto se deitava e escondia o rosto no meu pescoço – Só via os teus olhos, a cor da tua pele, o teu cabelo… Não funcionava com ela, por mais que quisesse. Nem com ela, nem com outra qualquer. – confessou.
- Oh Alex, juras? De verdade?
- Juro. – respondeu baixinho. – Depois de ti, as outras não existem. Não têm atractivos para mim.
Abracei-o forte.
- Para mim funciona igual. Não existiu mais ninguém, Alex. Foste o meu primeiro e único. - Os dedos dele correram pelo meu rosto, enquanto me beijava lentamente - e se quiseres, será assim para sempre.
Fechei os olhos, e senti os seus beijos no meu maxilar, a devoção com os seus dedos corriam pelo meu cabelo, como sentia a sua temperatura corporal.
Sentia que estávamos juntos apesar de tudo, porque o ar pegava fogo sempre que os nossos olhos se cruzavam, sempre que estávamos no mesmo local.
O ar faltava-me nos pulmões, a visão desfocava-se sempre que ele me tocava. O seu corpo rodou para cima do meu, e apoiando-se nos cotovelos, contemplava-me enquanto eu o contemplava. Apreciando a beleza um do outro, e sorrindo com isso.
- Tu prometeste amar-me, venerar-me acima de todas as coisas. – sussurrei levando os meus lábios contra os seus – Para sempre…. Tu prometes-te, Alexander.
- Eu sei. – afagou o meu rosto – E para sempre, significa para sempre. Não importa o que aconteça, eu continuarei a cumprir a minha promessa pela eternidade.

Espero que tenham gostado.
Beijinhos e já sabem, comentem ;)