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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Sonho e pesadelo



Aqui vai um novo capitulo, como prometido! ;)
Divirtam-se! :D
Capitulo dedicado a todas que comentaram o ultimo capitulo! ;)







Dirigi, até onde sabia que Alexander morava.
Na mansão horrível. Onde eu entrara quando era pequena. Com a estúpida ideia que era habitada por vampiros… Enfim. Eu sempre tive uma panca mesmo…
As minhas mãos tremiam e o coração disparava descompassado.
Toquei a campainha e um segundo depois ele atendeu.
- Quem é? – a sua voz suou rouca e desconfiada ao interlocutor.
- Nicholaa. Posso falar contigo, por favor?
- Nicholaa… Não acho boa ideia… - respondeu reticente.
- Por favor…
Ele suspirou.
- Entra.
Os grandes portões abriram-se e eu entrei lentamente para o jardim da mansão. Aquilo era meio assustador.
A mansão era enorme e as figuras de mármore assustadoras do jardim faziam sombras cobrirem a relva seca. O dia estava cinzento e a minha mente de maneira parva associava aquilo a um mau presságio.
O meu coração doía. O medo bombeava nas minhas veias. Ele não podia ir embora! Não podia!
Ele abriu a porta enorme e castanha quando eu ia bater.
Apareceu lindo e perfeito. Sensual como sempre. Vestido de preto a cor que melhor lhe assentava.
- É verdade que vais embora? – perguntei rápido sem me preocupar se ele entendia.
- Sim. – olhou-me intensamente.
Aquela simples palavra quase me derrubava no chão.
- Porquê? – gemi.
- Não posso continuar aqui… - respondeu como gelo. – Sabes que tenho noiva e pretendo casar.
- Quando… - nem conseguia acabar a frase.
- Vou casar no mês que vem.
Nem pensei. Apenas o abracei forte. O meu coração batia ruidosamente e eu abrasava aquele corpo duro como pedra e quente como fogo.
Ele ficou rígido, tenso, mas depois abraçou-me também.
Ele alisava os meus cabelos enquanto eu só implorava baixinho para ele não ir.
Ele não podia deixar-me. Não podia. Não podia!
Não ia aguentar se ele partisse e nunca mais o visse!
Mas depois percebi o que fiz.
Dei um passo atrás e o meu corpo reclamou. Ele queria sentir o calor de Alexander.
- Desculpa… Eu não devia… Desculpa! – escondi o rosto nas mãos incapaz de o olhar.
Como eu era imbecil! Ele ia casar pelo amor de Deus! O que se passava na minha cabeça deficiente?
- Nicholaa… - gemeu com dor e puxou-me para dentro.
Fiquei surpreendida. Não esperava que ele me desse bola. Ele devia ter ficado com pena. Eu não queria isso…
- Não tenhas pena de mim… - pedi baixinho a olhar os sapatos do meu uniforme.
Ouvi o som da porta a ser fechada.
Senti mãos quentes e rígidas, mas incrivelmente carinhosas, levantarem o meu queixo. O meu olhar encontrou-se com o dele. Ele olhava-me atormentado.
- Não tenho Nicholaa. Sinto tudo, menos pena. E tu sabes disso muito bem.
Ficamos em silêncio e eu percorri o lugar com os olhos. O amplo espaço estava vazio. Era verdade.
- Ias embora sem te despedires? – ele já devia ter preparado tudo à algum tempo.
- Era melhor assim…
- Só arranjo problemas não é? – olhei-o triste – Até com o professor… Eu juro por tudo que não faço mais nada! – implorei – Prometo que não tento me aproximar, que nunca mais te toco! Eu juro que te vou esquecer! Mas por favor não vás agora!
Alexander olhava-me tenso e estava muito hirto. Fazia-me sentir ainda mais insignificante. Ele era tão alto que eu tinha que olhar para cima para o encarar. Sentia-me um gnomo de jardim.
- Nicholaa aquilo nunca devia ter acontecido… Confesso que foi parte da decisão…
Eu fixei o olhar no seu queixo definido, para não encarar os seus olhos e acenei afirmativamente. O meu peito doía. Ele… ia mesmo embora. Mordi o lábio que começou a tremer. Faltava pouco para não chorar ali.
- Raios Nicholaa! Não me faças isto!
- Desculpa! Que queres que diga mais?! Lamento! Mas nunca disse nada! Juro que a tua reputação de professor não vai ser afectada! Eu juro! – disse desesperada.
- Raios! Estou-me a lixar para a reputação Nicholaa! – olhei-o sem entender. Ele estava agitado. Mas eu não lhe acabara de dizer que a sua carreira não ia ser arruinada? Não acreditava em mim? – Que inferno!
Depois puxou-me pelo pulso contra o seu corpo duro. Tremi com a proximidade e a minha respiração aumentou. A dele estava muito pesada, parecia que tinha corrido quilómetros.
Ele encostou a testa á minha e ficou com os lábios a centímetros dos meus enquanto segurava o meu rosto.
Aquela espera era agonizante. Não conseguia estar tão perto dos seus lábios e não me sentir tentada. Era fisicamente impossível.
Ele com o dedo acariciou o meu lábio, por reflexo, fechei os olhos aproveitando a experiencia. Sentia todo o meu corpo queimar, parecia que iria rebentar em chamas a qualquer momento.
Então os lábios dele tocaram os meus. Eu gemi de satisfação. Timidamente puxei os seus cabelos sedosos.
E então ele afastou-me.
- Não. Pela última vez não. Não podemos!
- Tudo bem. – eu não ia implorar mais. – Estou aqui sem máscaras ou fingimentos. Quero-te e preciso desesperadamente que me queiras de volta. Mas por mais que necessite de ti, tenho o meu orgulho e bom senso. Não te posso obrigar a ficares comigo. Só tu podes decidir. Portanto, pela última vez te pergunto: queres-me ou não?
Rezei para ele dizer que me queria. Eu largaria tudo por ele. Seria capaz de fugir com ele. Bastava ele pedir. Mas eu não o podia forçar.
- Salta comigo, por favor. Eu sei que sou apenas uma miúda. Sei que és o meu professor, alguns anos mais velho, mas isso não importa! Estupidamente nem ligo a mínima para o facto de estares de casamento marcado! Basta dizeres que me queres e tudo fica resolvido! Mas tens que dizer! – tentei mostrar-lhe mais uma vez que podia resultar.
Podia! Eu não era nada de mais. Só uma miúda problemática.
Não era uma heroína dos meus romances literários. Era apenas uma adolescente irresponsável e com problemas com perdas. A minha grande perda foi a minha mãe. E isso ainda doía para caramba. Alexander quebrara o muro que criei à minha volta e agora queria partir depois de ter arrasado tudo.
Mas talvez fosse suficiente para ele. Para poder ser feliz com ele, para poder perder-me nas sensações que proporcionávamos um ao outro.
Bastava… ele querer.
- Não. – a negativa brilhava em seus olhos – Não quero e nem posso pular.
Fechei os olhos e o meu mundo tremeu. Ouvi o meu coração ser esfaqueado, a minha alma partida e o meu cérebro esmigalhado.
- Certo. – sussurrei e momentos depois abri os olhos, quando tinha a certeza que não iria chorar ali mesmo – Espero que sejas feliz. Realmente Alexander. – não me importei se ele me repelaria.
Caminhei para ele e abracei-o uma última vez, para depois depositar um beijinho nos seus lábios selados e duros com a tensão.
Aquele sabor, aquela textura teria que ficar gravada na minha mente.
- Não te irei esquecer – prometi – Quando passar pelos momentos mais importantes da minha vida, irei lembrar-me de ti. E com uma esperança tola, espero que guardes algum carinho na lembrança. Nem que seja no Natal, lembra-te de mim… - esbocei um sorriso triste – Pode ser que um dia conte aos meus futuros netos que tive uma crise pelo professor misterioso de Inglês. – tentei fazer piada, mas nenhum de nós riu. Alexander simplesmente olhava-me… indiferente – Ok. Não te faço perder mais tempo. – suspirei com dor – Dizem que apenas demora um minuto para encontrar uma pessoa especial, uma hora para apreciá-la, um dia para a amar e a vida inteira para a esquecer. No fundo sei que morrei contigo num lugar especial no coração e tudo o que quero é que encontres a felicidade e que vivas sem arrependimentos. Que vivas uma vida com dor o suficiente, para apreciares as coisas simples da vida. Que tenhas tempestades suficientes para admirares o magnifico raiar do sol. – virei-lhe costas e sem o olhar abri a porta - E que nunca mais digas adeus antes de uma saudação.
Não o olhei. Simplesmente parti com ele no pensamento.
Os momentos seguintes, enquanto via as horas a passar e imagina-lo a caminhar para os braços de outra que não era eu, foram um pesadelo vivido acordado. Demasiado real.





Acordei ao meio da noite com um barulho na minha janela. Tapei o rosto com uma almofada.
O barulho insistia. Olhei e vi que eram 3 da manha.
Resmunguei e levantei-me para tentar resolver o problema.
Caminhei e senti a pelugem do meu tapete nos meus pés descalços.
Ainda a esfregar os olhos e com o cabelo emaranhado puxei a cortina para o lado, á espera de ver algum gato na minha varanda.
Abri a boca sem acreditar.
Alexander estava do lado de fora. Automaticamente puxei a minha camisola larga que me cobria até os joelhos. Era um pouco infantil. Tinha o rato Mickey estampado na frente. Pelo menos era branca e não cor-de-rosa.
Olhava-me com as mão nos bolsos das calças, o vento a desalinhar o seu cabelo sedoso e um sorriso tímido nos seus lábios perfeitos.
Abri a porta der correr e fui para a varanda.
- O que fazes aqui? – perguntei baralhada, ainda a pensar que sonhava.
Ele não me respondeu e caminhou como um felino até mim. O que fez o meu coração bater que nem louco.
- Como…- perdi o raciocínio quando o que nos separava era apenas um passo.
- Como consegui subir? – sorriu torto – Sou um óptimo atleta.
- Eu… n-não…
Ele riu suavemente e tocou a minha bochecha que sentia estar corada.
- Vim fazer-te uma pergunta. – Ele fitou os meus lábios e eu só respirava ofegante.
Senti os lábios dele roçarem a minha orelha e enviar uma corrente eléctrica por todo o meu corpo.
- Queres, ser minha?
Prendi a respiração. Ele traçou um caminho de beijos leves até o canto da minha boca. Mas não me beijou.
- Tua… - puxei o ar. Estava difícil de respirar – o quê?
- Meu anjo – segurou o meu rosto com a sua mão direita, quente e suave, enquanto acariciava o meu lábio inferior com o seu polegar. Simplesmente só conseguia senti-lo e escuta-lo. Nada mais importava – Meu universo… Minha vida… Minha luz… Minha salvação… Minha alma.
Deus. Eu acho que realmente estava a sonhar. Eu não podia ser tão sortuda. Não percebia como um homem, como ele me queria. O meu corpo tremia, e não era por frio. Perto dele eu simplesmente ardia em chamas desconhecidas.
- Só se fores meu também. – sussurrei.
- Sempre teu. Só teu.
E os lábios dele cobriram os meus.
Depois daquele doce inferno ter terminado, abracei-o forte a mostrar o quanto eu era dependente dele.
- Não poço deixar-te ir agora. – sorri para ele que me sorria de volta. Os olhos dele brilhavam com a felicidade dos meus. – Queres dormir aqui comigo.
Ele ponderou. Ele queria, mas talvez tivesse pensado que eu estava a convidar para outra coisa.
Corei.
- Apenas dormir. – esclareci.
Ele riu suavemente e o som fez as borboletas do meu estômago, voarem que nem loucas.
Entrei, mas ele ficou lá fora.
- Não queres entrar? – perguntei confusa.
Ele olhou envolta da porta, antes de entrar para dentro.
- Estava apenas à espera que me convidasses…
Eu gargalhei com a sua postura. Ele olhava tudo curioso.
Ele colou os lábios aos meus sussurrando “ shhh.”
Realmente não ia ser uma coisa boa, o meu pai apanha-lo ali…
Saltei para a cama, e meti debaixo da manta verde clara. Vi-o sentar-se na minha cama e tirar os seus sapatos, para depois coloca-los meticulosamente alinhados no tapete.
Bem, ele devia controlar tudo.
Ele deitou-se ao meu lado, por cima da manta e abraçou-me. Escondi o meu rosto no seu peito, a sentir o seu perfume soberbo e atraente.
- Boa noite, meu pequeno anjo.
E com ele a acariciar o meu cabelo dormi, a sentir-me realmente em casa. A pertencer a algum lugar, como nunca tinha pertencido. Nos braços da minha doença.


Então, gostaram? O-o
Eu adoro este capitulo! :) Acho super fofo! ;)
Também sou suspeita para falar, já que fui eu que escrevi! :P
Finalmente ele, não? ^^ Já era hora!
Espero os vossos coments, como sempre! :) A tal história do que gostaram mais e tal…
Estão a gostar do rumo que a história, está a tomar?
Eu só não quero desiludir-vos! Por isso comentem o que realmente pensam! :D
P.S-) Gostam das músicas que posto?
Na segunda-feira, capitulo novo para vocês! ;)
Beijos, e já sabem… COMENTEM!